Mesmo diante de um calor de 22°C e pouco vento, o Viagra Boys superou o suor e transformou o palco Samsung Galaxy em um verdadeiro manifesto pós-punk no Lollapalooza Brasil 2026. Os leques coloridos do público que aguarda a headliner Sabrina Carpenter nesta sexta-feira (20) ajudaram a criar a atmosfera para a banda sueca, liderada pelo carismático vocalista Sebastian Murphy.
O momento mais político do show ocorreu quando Murphy convidou o público a participar de um protesto, dizendo "free free" enquanto a plateia completava com "Palestina". A performance reflete o som da banda, que mistura deboche, críticas sociais e ritmos frenéticos. Segundo o vocalista, o nome do grupo ironiza o "modelo decadente do homem na sociedade atual".
Durante a apresentação não faltaram rodas de mosh, enquanto a acidez do grupo transbordava em músicas como "Man Made of Meat", que explora fetiches e a vida on-line, e "Sports", uma sátira à hipermasculinidade. O grupo usa o sarcasmo para desconstruir temas complexos como política e consumo desenfreado.
No palco, Murphy personifica esse deboche com sua performance sem camisa e exibindo tatuagens. Ele é acompanhado por Linus Hillborg na guitarra (com uma providencial camiseta para superar o sol) e Elias Jungqvist nos teclados. O saxofone explosivo de Akeson traz um ar jazzístico ao caos, enquanto Tor Sjödén e Henrik Höckert garantem o peso na bateria e no baixo.
Os músicos se conheceram em um karaokê em Estocolmo, o que explica o tom performático da apresentação. Essa origem inusitada reflete o espírito descompromissado, mas politicamente afiado, que define a banda. O setlist focado no disco "Cave World" manteve a tensão alta e o público em transe até o final do show.

