A plataforma de produção de petróleo e gás P-40, operada pela Petrobras no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro, permanece com as operações interrompidas nesta sexta-feira (19). A paralisação ocorre após a identificação de um vazamento de gás na quinta-feira (18), em meio ao quinto dia da greve nacional dos petroleiros da estatal, que começou na segunda-feira (15).

De acordo com a Petrobras, o vazamento foi detectado e controlado imediatamente de forma segura pela equipe a bordo da plataforma. "Como medida preventiva, todas as linhas foram despressurizadas, e a produção da unidade foi temporariamente paralisada", informou a empresa em comunicado oficial. A estatal garantiu que não houve ameaça à segurança das equipes e anunciou a criação de uma comissão especial para "investigar minuciosamente as causas do vazamento".

A plataforma P-40 é uma das 28 unidades marítimas que aderiram à greve, segundo balanço da Federação Única dos Petroleiros (FUP). A federação sindical afirma que a plataforma estava sob controle de equipes de contingência quando ocorreu o vazamento. Sindicatos ligados à FUP argumentam que "o episódio expõe riscos decorrentes da definição unilateral das contingências pela empresa".

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A Petrobras, por sua vez, descarta qualquer relação entre o incidente e o movimento grevista. A empresa afirma que "o incidente não tem relação com o movimento de paralisação de trabalhadores da Petrobras" e ressalta que a produção das demais plataformas da Bacia de Campos segue normalmente.

A greve nacional dos petroleiros entra em seu quinto dia com ampla adesão. Segundo a FUP, além das 28 plataformas marítimas, a paralisação atinge nove refinarias, 16 terminais operacionais, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel e dez instalações terrestres operacionais da Petrobras em todo o país.

Os trabalhadores cruzaram os braços devido a um impasse nas negociações com a empresa sobre três principais reivindicações: melhorias no plano de cargos e salários; solução para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, o fundo de pensão da categoria; e defesa da pauta Brasil Soberano, que prega a manutenção da Petrobras como empresa pública e um modelo de negócios voltado ao fortalecimento da estatal.

O incidente na P-40 ocorre em um momento de tensão nas relações trabalhistas da Petrobras, enquanto a empresa também anuncia movimentos corporativos significativos. Recentemente, a estatal renovou contratos de quase R$ 100 bilhões com a Braskem, demonstrando a continuidade de operações estratégicas mesmo durante o período de greve.

A comissão de investigação criada pela Petrobras para apurar as causas do vazamento na P-40 deve iniciar seus trabalhos imediatamente. Enquanto isso, a plataforma permanece com a produção paralisada até que sejam concluídos todos os procedimentos de segurança e a investigação determine as causas exatas do incidente.