A partir deste sábado (6), as gestantes a partir da 28ª semana de gestação terão acesso à vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) na rede pública de saúde de São Paulo. A medida representa um avanço significativo na proteção de recém-nascidos contra infecções respiratórias graves, que são especialmente perigosas nos primeiros meses de vida.
O VSR é um dos principais vilões da saúde infantil no Brasil, responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. A vacinação durante a gestação oferece proteção imediata aos bebês, reduzindo drasticamente as hospitalizações por complicações respiratórias.
Como funciona a proteção
A vacina administrada na gestante estimula a produção de anticorpos que são transferidos para o bebê através da placenta, criando uma barreira de proteção desde os primeiros dias de vida. Segundo dados do Ministério da Saúde, a vacinação materna demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos bebês durante os primeiros 90 dias após o nascimento.
Onde e quando se vacinar
Na capital paulista, aos sábados, o serviço de vacinação acontece nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Integradas, das 7h às 19h. De segunda a sexta-feira, a imunização pode ser tomada nas UBSs, também das 7h às 19h. Para se vacinar, a gestante precisa estar com um documento de identificação e comprovante de 28 semanas de gestação.
Para facilitar o acesso da população, a disponibilidade da vacina pode ser consultada pelo site Olho na Fila. A localização dos equipamentos da rede municipal pode ser consultada na plataforma Busca Saúde.
Recomendações importantes
A coordenadora de Vigilância em Saúde, Mariana Araújo, destacou a importância da iniciativa: "A implementação dessa vacina é muito importante para a saúde dos bebês menores de seis meses. Vacinar a gestante garante a proteção dos recém-nascidos nos primeiros meses de vida, quando são mais vulneráveis e podem desenvolver formas graves da doença".
A recomendação é tomar dose única a cada nova gestação, independentemente da idade da mãe. A prefeitura de São Paulo alerta ainda que, com a chegada das doses da VSR - que na rede privada pode custar até R$ 1,5 mil - é importante também atualizar a situação vacinal das gestantes, incluindo influenza e covid-19, já que a vacina contra o VSR pode ser administrada simultaneamente a esses imunizantes.
Impacto na saúde pública
A disponibilização da vacina contra VSR pelo Sistema Único de Saúde (SUS) representa um marco na saúde materno-infantil brasileira. A medida chega em um momento estratégico, já que o vírus sincicial respiratório tem maior circulação durante os meses mais frios do ano, período em que tradicionalmente aumenta a procura por serviços de saúde pediátricos.
A proteção oferecida pela vacina tem potencial para reduzir significativamente as internações em UTIs neonatais e os custos associados ao tratamento de complicações respiratórias graves em bebês. A iniciativa se soma a outras ações recentes do poder público na área da saúde, como a entrega de novas estruturas a hospitais, a distribuição de absorventes pelo SUS e o fornecimento de filtros para acesso à água potável em comunidades indígenas.

