O Conselho da União Europeia (UE) aprovou nesta segunda-feira, por ampla maioria, o acordo de livre comércio com o Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a decisão como "histórica" e afirmou que "a Europa está enviando um sinal forte" em um momento de tensões geopolíticas.

"Em um momento em que o comércio e as dependências [comerciais e econômicas] estão sendo usadas como armas, e a natureza perigosa e transacional da realidade em que vivemos se torna cada vez mais evidente, este acordo comercial histórico é mais uma prova de que a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável", escreveu Ursula em comunicado oficial divulgado pela Comissão Europeia.

Pelas regras do bloco europeu, para ser aprovada, a proposta precisava do aval de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros que, juntos, representassem ao menos 65% da população total da UE. O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, revelou em suas redes sociais que, além de seu país, votaram contra o acordo Áustria, França, Hungria e Irlanda.

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A presidente da Comissão Europeia destacou ainda "a forte liderança e boa cooperação" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que o Brasil presidiu o Mercosul – entre julho e dezembro de 2025. Com a aprovação confirmada, Ursula von der Leyen poderá viajar para o Paraguai já na próxima semana para ratificar o acordo com os países-membros do Mercosul. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro-tempore do bloco sul-americano.

Para entrar em vigor definitivamente, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu. Ursula disse esperar "ansiosamente pela assinatura do acordo" que promete criar "crescimento, empregos e garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias".

Impacto econômico para o Brasil

No Brasil, a decisão foi comemorada por lideranças políticas e empresariais. A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) calcula que o acordo estabelece um mercado de quase US$ 22 trilhões, com potencial de incrementar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões.

"Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões", comentou o presidente da agência, Jorge Viana, em nota.

Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco europeu: "Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento."

Benefícios tarifários

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões – todos representando áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil no mercado global.

Também haverá oportunidades positivas para setores como couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Para diversas commodities, haverá redução gradativa das tarifas até zerá-las, embora sujeitas a cotas estabelecidas no acordo.

A notícia chega em meio a protestos de agricultores europeus, que bloquearam ruas de Paris contra o acordo UE-Mercosul, temendo concorrência desleal de produtos agrícolas sul-americanos. Apesar da oposição de alguns países, a ampla maioria dos membros da UE considerou os benefícios econômicos do acordo maiores que os riscos, abrindo uma nova era nas relações comerciais entre os dois blocos.