O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, acendeu um novo alerta nas relações internacionais ao intensificar sua retórica contra Cuba, afirmando que espera ter a "honra" de tomar o país caribenho de alguma forma. As declarações, feitas a repórteres no Salão Oval, surgem em um momento delicado: Cuba e os EUA haviam iniciado conversações com o objetivo de melhorar suas relações, marcadas por décadas de adversidade.
"Acredito que terei a honra de tomar Cuba. Essa é uma grande honra. Tomar Cuba de alguma forma", disse Trump, enquanto a ilha enfrenta uma crise econômica sem precedentes, exacerbada por um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele completou: "Quero dizer, se eu a libero, se eu a tomo. Acho que posso fazer o que quiser com ela. Vocês querem saber a verdade".
As palavras do presidente norte-americano ecoam em um cenário de extrema dificuldade para os cubanos. Segundo reportagens, Cuba completa três meses sem receber combustível devido ao bloqueio, o que levou a um severo racionamento de energia e interrupções prolongadas no fornecimento. Nesta segunda-feira, a rede elétrica do país entrou em colapso, deixando sem energia os cerca de 10 milhões de habitantes. O blecaute durou 16 horas antes de ser restabelecido, mas a situação permanece crítica, com muitos cubanos relatando que este é o pior momento que já viveram.
Após as falas de Trump, o New York Times informou que a destituição do presidente cubano Miguel Díaz-Canel é um dos principais objetivos dos EUA nas negociações bilaterais. Citando quatro fontes familiarizadas com as conversas, o jornal afirmou que os norte-americanos sinalizaram aos negociadores cubanos que Díaz-Canel deve sair, mas estão deixando os próximos passos a cargo dos cubanos. Tradicionalmente, Cuba rejeita qualquer interferência em seus assuntos internos e considera propostas nesse sentido um obstáculo para acordos.
Díaz-Canel, de 65 anos, que sucedeu Fidel Castro e seu irmão Raúl Castro como presidente em 2018, reagiu às declarações afirmando, na sexta-feira, que espera que as negociações com os Estados Unidos ocorram "sob princípios de igualdade e respeito pelos sistemas políticos de ambos os países, soberania e autodeterminação". Sua postura reflete a histórica resistência cubana a pressões externas.
Trump, no entanto, parece incluir Cuba em uma lista de alvos após ações contra outros países. Depois de remover Maduro do poder na Venezuela e se juntar a Israel em ataques ao Irã, ele cogitou abertamente que Cuba seria "a próxima". A pressão foi intensificada com a interrupção de todas as remessas de petróleo venezuelano para a ilha e ameaças de impor tarifas a qualquer país que venda petróleo para Cuba.
Como resultado, grande parte da economia cubana foi paralisada, agravando uma crise que já dura décadas. A situação remonta a 1959, quando Fidel Castro derrubou um governo aliado dos EUA, iniciando um período de contencioso que completa 67 anos. Embora mais de uma dúzia de presidentes norte-americanos tenham se oposto ao governo comunista de Cuba e criticado seu histórico de direitos humanos, Washington honrou, até agora, sua promessa de não invadir ou apoiar uma invasão, parte do acordo com a União Soviética para resolver a crise dos mísseis de 1962.
Neste domingo (15), Trump deu mais uma guinada ao afirmar, a bordo do Air Force One: "Estamos conversando com Cuba, mas vamos resolver o Irã antes de Cuba". A declaração sugere uma priorização de conflitos, mas não diminui a tensão em torno da ilha. A Casa Branca ainda não detalhou a base legal para qualquer possível intervenção em Cuba, deixando em aberto como as ameaças poderiam se materializar.
Enquanto isso, os cubanos seguem enfrentando o dia a dia com escassez de energia e incertezas. As negociações bilaterais, que poderiam trazer algum alívio, agora parecem ainda mais complicadas diante da retórica agressiva de Trump. O futuro das relações entre os dois países permanece incerto, com a possibilidade de uma escalada que preocupa observadores internacionais e a população local, que já sofre as consequências do bloqueio e da crise econômica.

