O esqui cross-country paralímpico testemunhou neste sábado (14) um marco histórico para o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina. O revezamento misto brasileiro, composto integralmente por atletas do Time São Paulo, conquistou o 7º lugar na competição, a melhor posição já alcançada pelo país na história dos Jogos Paralímpicos de Inverno.
O trio formado por Aline Rocha, Cristian Ribera (medalhista paralímpico) e Wellington da Silva representou com maestria o programa de fomento ao esporte paralímpico desenvolvido pela parceria entre o Governo de São Paulo e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A conquista supera o 8º lugar obtido nos Jogos Paralímpicos de Pequim em 2022, demonstrando a evolução constante do esporte paralímpico brasileiro no cenário internacional.
Wellington da Silva, que percorreu 5 km na prova (o dobro dos 2,5 km de seus companheiros), compartilhou sua experiência: "Gostei da prova, me senti bem, foi muito exigente, o clássico demanda muito, fiz uma primeira volta boa e me cansei muito na segunda". A fala reflete o desafio físico que a modalidade representa, especialmente em competições de alto nível como os Jogos Paralímpicos.
Cristian Ribera, atleta com trajetória inspiradora que já passou por 21 cirurgias e é treinado pelo próprio irmão, analisou o resultado coletivo: "O esporte é individual, mas há uma grande equipe trabalhando por trás. Estou feliz por termos melhorado nossa posição em relação aos Jogos Paralímpicos de Pequim em 2022, quando ficamos em 8º lugar". O atleta, que também é fã de Messi e LeBron James, destacou a importância do trabalho em equipe que sustenta as performances individuais.
Aline Rocha, que junto com Cristian alcançou posições no 'top 5' na prova individual de 10 km de esqui nestes mesmos Jogos, projetou otimismo para o futuro: "Esperem por mais na próxima". A declaração sugere que os atletas brasileiros pretendem continuar evoluindo e conquistando resultados ainda melhores nas próximas competições.
Marcos da Costa, Secretário Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, destacou a relevância do programa Time São Paulo: "É muito bom ver o Time São Paulo compondo 100% do nosso revezamento, mostrando a relevância do programa não só para o esporte paralímpico paulista, mas também para o nacional". A fala reforça o impacto estadual que se reflete em conquistas para todo o país.
A prova de revezamento misto no esqui cross-country paralímpico é uma competição por equipes que geralmente segue o formato 4×2,5 km, integrando homens e mulheres com diferentes deficiências. As categorias incluem "standing" (em pé), "sitting" (sentado) e "vision impaired" (deficiência visual com guia). Na edição atual, entre os dez países participantes, havia equipes com quatro, três ou dois esquiadores, demonstrando a flexibilidade da competição para acomodar diferentes realidades nacionais.
O Time São Paulo encerra sua participação nos Jogos Paralímpicos de Inverno neste domingo (15), último dia do evento, com Aline Rocha, Cristian Ribera e Elena Sena competindo no esqui cross-country (20 km). A prova promete ser mais uma oportunidade para os atletas brasileiros demonstrarem seu talento e determinação.
O Time São Paulo Paralímpico representa um investimento significativo no esporte adaptado. Criado pelo Governo de São Paulo por meio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) em parceria com o CPB, o programa conta com R$ 8,2 milhões investidos e atende 157 atletas de 16 diferentes modalidades. Esses esportistas representam não apenas o estado de São Paulo, mas todo o Brasil em campeonatos nacionais e mundiais ao longo do ano.
A iniciativa vai além da busca por resultados e medalhas. O programa tem como objetivo principal apoiar o desenvolvimento de atletas com deficiência e promover a inclusão social por meio do esporte. A parceria com o CPB, recentemente estendida e agora garantida até dezembro de 2028, traz mais estabilidade e segurança para o ciclo esportivo que culminará nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles.
O 7º lugar histórico conquistado em Milão-Cortina não é apenas um número em uma tabela de classificação. Representa o fruto de investimentos consistentes, trabalho dedicado e a superação diária de atletas que transformam desafios em conquistas. Para o esporte paralímpico brasileiro, especialmente no cenário de inverno onde tradicionalmente não temos tanta tradição, cada posição alcançada é uma vitória que inspira novas gerações e consolida o Brasil como uma nação que respeita e valoriza o protagonismo das pessoas com deficiência em todas as áreas, incluindo o esporte de alto rendimento.

