Uma pessoa morreu e outra ficou ferida na tarde de ontem (12) em Guarulhos, na Grande São Paulo, após a queda de uma árvore de grande porte sobre um ponto de ônibus. A vítima fatal estava na Rua Arminda de Lima, na região central da cidade, quando foi atingida. O incidente foi confirmado pela Defesa Civil local e marca a terceira morte relacionada aos eventos climáticos extremos que atingem o estado de São Paulo nesta semana.

Segundo informações das autoridades, a queda da árvore está diretamente ligada às fortes chuvas e ventos que têm castigado a região, especialmente após a passagem de um ciclone extratropical. Os ventos chegaram a quase 100 km/h em algumas áreas, causando estragos generalizados. "As condições do solo ficam encharcadas e os ventos fortes derrubam árvores que, muitas vezes, já estavam comprometidas", explicou um agente da Defesa Civil, que pediu para não ser identificado.

Esta foi a terceira morte registrada no estado em apenas quatro dias. Na última quarta-feira (10), um morador de Campos do Jordão morreu após um deslizamento de terra atingir sua casa. Na quinta-feira (11), uma mulher faleceu no Jardim Sapopemba, zona leste da capital, vítima do desabamento de um muro. Os três casos têm em comum o contexto de temporal e a falta de infraestrutura para suportar eventos climáticos cada vez mais intensos.

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O ciclone que passou por São Paulo deixou um rastro de destruição: além das mortes, houve quedas de árvores, fechamento de parques, cancelamento de voos e, principalmente, uma crise no fornecimento de energia elétrica. Milhões de clientes ficaram sem luz, e a situação ainda não foi totalmente normalizada. Na manhã de hoje (13), quatro dias após o início dos problemas, mais de 462 mil clientes da Enel na Grande São Paulo continuavam sem energia.

Diante da demora, a Justiça paulista determinou que a Enel restabeleça imediatamente o fornecimento, sob risco de multa de R$ 200 mil por dia de descumprimento. A empresa, que já enfrentava críticas por falhas no serviço, alega que as equipes estão trabalhando "incessantemente" para normalizar a situação, mas esbarra na magnitude dos danos causados pelo temporal.

E o pior pode ainda estar por vir. A Defesa Civil emitiu um novo alerta para os próximos dias, entre hoje (13) e a próxima terça-feira (16), devido à passagem de uma frente fria sobre o território paulista. A previsão é de chuva persistente, raios, rajadas de vento e até chance de granizo. O órgão classifica o risco de transtornos como "elevado".

As regiões que mais devem sofrer com chuvas expressivas são Presidente Prudente, Marília, Bauru, Araraquara, Campinas, Sorocaba, Itapeva e Registro. A orientação para a população é evitar áreas de risco, como encostas e margens de rios, e ficar atenta aos avisos oficiais. "É um período de muita atenção. Pedimos que as pessoas evitem sair de casa se não for necessário e tenham um kit de emergência à mão", alertou a Defesa Civil em nota.

Enquanto isso, as famílias das vítimas começam a lidar com a perda. Em Guarulhos, vizinhos relataram que o ponto de ônibus onde ocorreu o acidente era muito movimentado, especialmente no período da tarde. "É uma tragédia que poderia ter sido evitada se houvesse mais cuidado com a poda das árvores na cidade", desabafou um morador que preferiu não se identificar. A prefeitura local informou que abriu uma investigação para apurar as causas exatas da queda e verificar se há outras árvores em situação de risco na região.

A sequência de eventos climáticos extremos em São Paulo reacende o debate sobre a preparação das cidades para enfrentar fenômenos cada vez mais comuns. Especialistas em climatologia alertam que, com as mudanças climáticas, tempestades intensas e ventos fortes tendem a se tornar mais frequentes, exigindo investimentos em infraestrutura e planos de contingência mais robustos. Para os paulistas, a lição desta semana é clara: além de lamentar as vidas perdidas, é preciso agir para evitar que novas tragédias aconteçam.