O tempo firme e ensolarado em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, tem sido um aliado crucial no avanço das obras de reconstrução da cidade, quase um mês após ser atingida por um tornado devastador no dia 7 de novembro. A primeira das 320 casas pré-fabricadas que o Governo do Estado está construindo para famílias que perderam seus lares no evento climático deve começar a tomar forma na próxima semana, com as paredes sendo levantadas e o telhado instalado. Para isso, os trabalhos de fundação e preparação do terreno seguem em ritmo intenso ao longo deste fim de semana.
Além de representar o recomeço para centenas de pessoas que se viram sem abrigo em questão de minutos, a montagem da primeira moradia carrega um peso simbólico ainda maior. A primeira moradora a receber um novo teto será Marilda Risse, esposa de Claudino Pereira Risse, uma das sete vítimas fatais registradas na tragédia. "Não sobrou nada da casa deles", relata a reportagem, destacando a dimensão da perda. O novo lar está sendo erguido exatamente no mesmo local onde o casal vivia, uma prática que será seguida para os demais selecionados que possuem terreno próprio. Para aqueles que não são proprietários de terra, a prefeitura está cedendo lotes, que ainda passam por fase de preparação, com limpeza e nivelamento do solo.
A Tecverde, empresa contratada para entregar a estrutura pré-moldada e executar as obras, já está levando os canteiros de obra para outros terrenos liberados pelo município. Dois lotes já estão com as marcações prontas para a fundação e também mobilizarão profissionais durante o fim de semana. O cronograma prevê que, semanalmente, novos espaços sejam entregues à construtora, permitindo que as obras se espalhem rapidamente pela cidade. Por contrato, todas as 320 habitações devem ser concluídas em no máximo 180 dias, contados a partir da data do sinistro.
O gerenciamento de toda a operação em Rio Bonito do Iguaçu está a cargo da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). A empresa pública também participou, junto com outros órgãos e entidades, do cadastramento das famílias afetadas e da vistoria de mais de 1,5 mil imóveis na cidade. Esse levantamento minucioso serviu de base para definir quem teria direito a uma das casas cedidas pelo Estado, em um investimento total de R$ 44 milhões.
As residências estão sendo construídas no sistema wood frame, uma tecnologia que reduz consideravelmente o tempo de execução. Cada casa é composta por sala, cozinha, dois quartos, banheiro e lavanderia, com áreas que variam entre 45 m², 48 m² e 50 m². A primeira fase da obra é a fundação rasa, que já inclui instalações elétricas, hidráulicas e de gás embutidas. Após a concretagem – cuja secagem pode levar de três dias a uma semana –, a próxima etapa é a montagem das paredes, que chegam prontas, com esquadrias e instalações. Em seguida, vêm o telhado e os acabamentos finais, como cerâmica, pintura, louças e metais.
Além das casas pré-fabricadas, as famílias já estão recebendo outros auxílios do Governo do Estado. O benefício de R$ 1 mil destinado às pessoas mais vulneráveis já foi pago a 1.475 famílias. Também foram carregados e distribuídos 410 cartões de Reconstrução, por meio dos quais os moradores têm direito a até R$ 50 mil para reformar residências danificadas pelo tornado. Essas medidas buscam não apenas restaurar os lares, mas também reerguer a esperança de uma comunidade que enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua história.

