Um dos maiores desafios da pecuária sustentável no Brasil – a redução das emissões de metano entérico – ganhou uma ferramenta poderosa desenvolvida por pesquisadores paulistas. O Instituto de Zootecnia (IZ–Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, validou um sistema inovador que simula as condições do rúmen de bovinos para medir com precisão a produção de metano em condições controladas, sem necessidade de usar animais vivos.

De acordo com o pesquisador Geraldo Balieiro Neto, do IZ, o sistema permite comparar diferentes aditivos e dietas de forma econômica e eficiente. "Avaliamos o sequestrador de hidrogênio desenvolvido pela MJ Nutrição Animal e este aditivo promoveu uma redução de até 40% nas emissões de metano em relação aos antimicrobianos tradicionalmente utilizados, como a virginiamicina e a monensina", explica Balieiro. O resultado mais impressionante veio quando o produto foi associado a dietas com menor teor de fibra: "as reduções chegaram a 75%", revela o especialista.

Essa tecnologia representa um avanço significativo para a pecuária de baixo carbono, pois permite mensurar de forma mais rápida, precisa e com menor custo os efeitos das dietas e aditivos sobre a fermentação ruminal. O sistema associa a produção de metano à formação de ácidos orgânicos, à digestibilidade dos nutrientes e ao desempenho animal, oferecendo uma visão completa do processo fermentativo.

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"Isso contribui diretamente para o desenvolvimento de estratégias eficazes de mitigação de gases de efeito estufa e para o avanço da pecuária de baixo carbono", afirma Balieiro Neto, destacando o potencial da tecnologia como ferramenta estratégica para reduzir o impacto ambiental da atividade pecuária.

Desenvolvido em parceria com a Embrapa Pecuária Sudeste, o sistema utiliza o gás traçador SF₆ para mensurar a produção de metano em condições controladas. O equipamento e o protocolo operacional inovadores permitem a coleta contínua dos gases produzidos durante a fermentação ruminal, simulando o ambiente do rúmen com controle rigoroso de pH, temperatura, agitação e fluxo de nutrientes.

Essa abordagem tecnológica possibilita a avaliação simultânea de múltiplos parâmetros: fermentação, emissão de metano, produção de ácidos orgânicos e digestibilidade dos alimentos testados. O resultado é uma compreensão mais completa dos processos fermentativos e de seus impactos na eficiência alimentar dos animais.

O sistema consolida o papel do Instituto de Zootecnia na geração de soluções voltadas à eficiência e à sustentabilidade da produção animal, posicionando o Brasil na vanguarda das pesquisas para redução de emissões na pecuária. Enquanto o país busca equilibrar sua posição de maior exportador mundial de carne bovina com compromissos ambientais, tecnologias como essa surgem como aliadas fundamentais para uma produção mais sustentável e competitiva.