Quando o mundo entrou em colapso, no início de 2020, Fernando Anitelli, compositor, cantor e líder da trupe Teatro Mágico, criou uma maneira diferente de se conectar com o público. Organizou lives de bate-papos, nas quais comentava as notícias do dia, respondia às dúvidas dos fãs e às vezes até tocava música. “Houve dias em que havia mais duzentas janelinhas”, diz Anitelli, em entrevista exclusiva à Billboard Brasil.
Pensando bem, desde que surgiu no cenário musical brasileiro, em agosto de 2003, que este combo de Osasco (cidade da Grande São Paulo) primou por métodos pouco ortodoxos de produção, divulgação e comercialização de suas obras. Os discos eram doados para o público, ao invés de serem vendidos – o lucro saía das apresentações ao vivo e venda de merchandising. Tempos depois, eles criaram sua própria ticketeria (a Ingresso Mágico) para evitar as taxas escorchantes cobradas pelas empresas do ramo.
O grupo adotou um visual inspirado no circo e comete um híbrido de pop, rock e MPB. “A música e o modo de ser do Teatro Mágico são plurais”, diz o cantor. “A gente se inspira muito no clima do sarau. É onde o cara de camisa preta, do death metal, se une ao sujeito que gosta de samba, a menina do violão faz folk…” Unido pela pluralidade e pelo conforto da alma, o Teatro Mágico lançou dois discos nos últimos cinco anos. “Luzente”, de 2022, era um apanhado de novas canções, de tons solares porque, segundo Anitelli, “o público tinha necessidade de luz”.

