Um estudo conduzido por pesquisadores do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) acaba de ser publicado na prestigiada revista internacional Weather and Climate Extremes e no ScienceDirect, uma das maiores bases de dados mundiais para pesquisa científica, operada pela editora Elsevier. Os cientistas paranaenses são os primeiros a avaliar o desempenho de um sistema apontado como o futuro da modelagem atmosférica: o MPAS (Model for Prediction Across Scales).
A modelagem numérica é uma técnica computacional que utiliza equações físicas e matemáticas para simular o comportamento da atmosfera e, assim, gerar previsões do tempo automáticas. Supercomputadores processam dados coletados por radares, estações meteorológicas e hidrológicas, além de outros equipamentos. Informações como temperatura, vento e pressão ajudam a compreender as condições climáticas atuais e a antecipar seu comportamento nos dias seguintes.
A evolução contínua da modelagem numérica é essencial para antecipar eventos climáticos severos e, consequentemente, proteger a sociedade. Um dos modelos mais usados atualmente é o WRF (Weather Research and Forecasting), enquanto o MPAS é projetado para ser sua transição natural e aprimorada. O MPAS utiliza uma malha global de resolução variável, permitindo foco em alta resolução em áreas de interesse – como o Paraná – sem a necessidade de impor condições de contorno laterais, eliminando erros e instabilidades que afetam modelos de área limitada.
Para explorar esse potencial, o estudo liderado pelo bolsista do Simepar José Antonio Mantovani Jr., em parceria com o funcionário Rafael Toshio Inouye e outros colaboradores, avaliou o desempenho do MPAS em comparação com a configuração operacional do WRF. A pesquisa analisou quatro eventos recentes de tempo severo no Paraná, incluindo tempestades com chuvas extremas e frentes de rajada, e trouxe resultados promissores. De maneira geral, o MPAS superou ou igualou o desempenho do WRF operacional, demonstrando maior habilidade na previsão da distribuição espacial e da intensidade das chuvas.
Um dos grandes destaques do estudo foi a constatação de que o uso das condições iniciais do modelo europeu ECMWF-IFS impulsionou significativamente a precisão do MPAS. Em cenários dominados por forçantes de grande escala, as condições iniciais de alta resolução do IFS forneceram detalhes muito mais refinados das estruturas de vento e umidade – como o Jato de Baixos Níveis – resultando em melhores correlações e menores erros de previsão de precipitação.
“Essa publicação é um marco institucional: ela coloca o Simepar como o primeiro centro regional a testar diretamente o MPAS contra um modelo WRF em ambiente operacional no Sul do Brasil. Isso demonstra o compromisso contínuo do Simepar com a inovação e o aprimoramento tecnológico. A dedicação da equipe neste projeto também abre as portas para a implementação de ferramentas cada vez mais robustas e eficientes na previsão de desastres naturais no Paraná”, destacou o diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso.

