Um passo importante para tornar Curitiba e região mais preparadas para os desafios climáticos foi dado nesta quinta-feira (26), durante a 7ª edição do Smart City. O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e a Prefeitura de Curitiba assinaram um Memorando de Entendimento para dar início ao projeto Smart Climate City, uma iniciativa de inteligência climática que promete revolucionar o monitoramento ambiental na capital paranaense e, posteriormente, em outras cidades do estado.
O projeto, que terá duração de três anos, começará em Curitiba – que completa 333 anos neste domingo (29) –, se expandirá para a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e, futuramente, será aplicado em Toledo, no Oeste do Paraná. O recurso para a iniciativa foi aprovado pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente, gerido pelo Instituto Água e Terra (IAT).
Como funcionará o projeto
O Smart Climate City é composto por uma rede de estações meteorológicas especializadas que serão distribuídas pela cidade e seus arredores. Essas estações, aliadas a modelos de previsão hidrometeorológica de altíssima resolução e ao uso de inteligência artificial, permitirão identificar com precisão os maiores focos de atenção no centro urbano, sejam eles relacionados à temperatura, chuva ou circulação de ventos.
"Muitos estados do Brasil têm no Simepar um centro de excelência. Este investimento é um presente de aniversário para a Prefeitura de Curitiba fazer um monitoramento com apoio, também, da empresa suíça Meteoblue, para analisar ilhas de calor, túneis de vento, e incluir tudo no hipervisor urbano, onde o planejamento urbano desenhou a estrutura da cidade", explicou o secretário Rafael Greca.
Parceria internacional de peso
O projeto nasceu após uma missão estratégica realizada pela diretoria do Simepar à Suíça em 2025, que estabeleceu uma cooperação internacional com a Meteoblue, empresa de renome europeu e hoje parte da Windy. Essa parceria combina a expertise brasileira em monitoramento ambiental com a tecnologia de ponta suíça.
"Fizemos essa parceria para aplicar no Paraná esse conceito de cidades inteligentes, que já é amplamente utilizado em cidades da Suíça, inclusive em Zurich. Na primeira fase do projeto serão feitos estudos de áreas de vulnerabilidade, de ilhas de calor, de áreas onde o corredor de vento é comprometido. Tudo isso vai ajudar com o planejamento da cidade no futuro", detalhou Vanessa D'Ávila, diretora executiva do Simepar, que coordena o projeto.
Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar, ressaltou a complementaridade da parceria: "Do lado suíço temos a capacidade de modelagem numérica de altíssimo desempenho e precisão, e do lado brasileiro temos a expertise do Simepar em monitoramento ambiental e previsão hidrometeorológica, unidas a uma ampla rede de monitoramento".
Benefícios para a população
Os ganhos para a cidade são múltiplos e vão desde o mapeamento de áreas mais vulneráveis às altas temperaturas e ao volume excessivo de chuva até o planejamento urbano, a revitalização de áreas para mitigar problemas de retenção de calor e até mesmo a previsão de demandas relacionadas à saúde.
A segunda fase do projeto será a implantação efetiva da rede de estações, que fornecerá dados em tempo real sobre estresse térmico, corredores de vento e possibilidade de cheias e alagamentos não apenas para Curitiba, mas para toda a RMC.
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, destacou a importância da iniciativa: "Esse investimento através da Sedest, vai ajudar muito a prevenir, a alertar a população, e a gente ter esse cuidado na nossa cidade. As intercorrências do clima não são papo de televisão. É o que acontece na nossa cidade. É a chuva de 50 milímetros em 15 minutos. É o calor extremo. É a estiagem. E nós temos que nos cuidar e preparar a nossa cidade para o futuro".
Presenças importantes
Além dos já mencionados, também participaram da assinatura o diretor do Patrimônio Natural do IAT, Rafael Andreghetto; o secretário de Governo de Curitiba, Marcelo Fachinello; e a secretária municipal de Meio Ambiente, Marilza Dias. A cerimônia marcou o início de um projeto que promete colocar o Paraná na vanguarda da inteligência climática urbana no Brasil.

