A cena é relativamente comum: o artista gringo desembarca no Galeão, compra uma camisa verde e amarela bem clichê, come coxinha, bebe guaraná, aprende a falar “obrigado” e sai por aí se sentindo mais brasileiro do que o Cristo Redentor. Com Shakira, no entanto, a história é outra. A relação da colombiana com o Brasil não nasceu agora, nem foi forjada pelas agências de publicidade. Ela é anterior até mesmo à imagem de estrela pop global que a cantora consolidou a partir dos anos 2000.

O megashow gratuito em Copacabana no projeto Todo Mundo no Rio e “Choka Choka”, parceria lançada com Anitta no mês passado, apenas reforçam essa antiga e frutífera relação. O Brasil foi um mercado muito importante para a expansão internacional da artista. Em meados dos anos 1990, os brasileiros foram os primeiros latinos a abraçar a música da jovem de Barranquilla fora da sua região. Shakira ainda vivia a fase de “Pies Descalzos”, antes de se tornar a figura global por quem o mundo se apaixonou poucos anos depois.

Essa construção passou, primeiro, pela estrada. Em 1996, ela incluiu cidades como Manaus, Goiânia, Belém, Barretos (SP), Brasília, Maringá (PR), Belo Horizonte, Salvador e Recife no seu roteiro. Fez show em kartódromo, passou por casas e ginásios fora do eixo tradicional e se apresentou em cidades do interior paulista, num circuito que hoje parece improvável para uma estrela desse porte, mas que ajuda a explicar por que a identificação brasileira com Shakira veio cedo.

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