Em mais um capítulo da crise que envolve o Banco Master, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal defendeu, nesta quarta-feira (11), o direito dos parlamentares de acessar as investigações sobre as fraudes que levaram à liquidação da instituição financeira pelo Banco Central no ano passado. O movimento representa uma pressão política sobre o Judiciário para que o Legislativo participe ativamente da apuração do caso, que pode envolver prejuízos de até R$ 17 bilhões.

O presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), liderou uma reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para reforçar que a CAE tem competência legal para fiscalizar o sistema financeiro nacional. Segundo os parlamentares, a comissão não apenas tem o direito, mas também o dever de contribuir para a responsabilização dos envolvidos no escândalo que abalou a confiança no setor bancário.

"Para que os trabalhos da comissão sejam produtivos, eu acho que a gente deveria começar a fase de depoimento ouvindo Vorcaro", afirmou Calheiros em entrevista após o encontro, referindo-se ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador defendeu a convocação imediata do empresário para prestar esclarecimentos perante os parlamentares, sinalizando que a comissão pretende assumir um papel ativo na investigação.

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O caso do Banco Master ganhou contornos dramáticos em novembro de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero. A investigação apura a concessão de créditos falsos pela instituição financeira, incluindo a tentativa de compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal. As fraudes, segundo as apurações em curso, podem chegar à impressionante cifra de R$ 17 bilhões.

No Supremo Tribunal Federal, o inquérito que investiga as irregularidades do Banco Master é relatado pelo ministro Dias Toffoli. A reunião desta quarta-feira representa uma tentativa dos senadores de estabelecer pontes diretas com a mais alta corte do país, buscando garantir que o trabalho parlamentar de fiscalização possa avançar paralelamente às investigações judiciais.

Calheiros adiantou que deve conversar com outros ministros do STF e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para defender o acesso da comissão aos detalhes da investigação. O movimento indica uma estratégia de pressionar múltiplas frentes dentro do sistema de Justiça, buscando legitimar a atuação do Legislativo num caso de grande complexidade financeira e repercussão política.

O escândalo do Banco Master já provocou reverberações significativas no sistema financeiro e na administração pública. Recentemente, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aprovou um plano emergencial para cobrir parte do rombo deixado pela instituição, enquanto o diretor jurídico do BRB deixou o cargo em meio às investigações sobre a tentativa de compra do banco fraudado.

A defesa da CAE por maior participação na apuração reflete uma disputa institucional sobre os limites da fiscalização parlamentar em casos de grande magnitude. Enquanto o Judiciário conduz as investigações criminais, os senadores argumentam que têm o dever constitucional de acompanhar o caso, especialmente considerando o impacto sistêmico das fraudes no mercado financeiro brasileiro e o uso de recursos públicos envolvidos nas operações de resgate.

O desfecho dessa negociação entre Legislativo e Judiciário pode definir novos parâmetros para a atuação das comissões parlamentares de inquérito em casos de fraudes financeiras de grande escala, estabelecendo precedentes importantes para o combate à corrupção no sistema bancário nacional.