A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, nesta terça-feira (9), um projeto de lei que promete dar um novo fôlego ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). O PL 2926/23 cria um marco legal atualizado para o sistema responsável por intermediar transferências de fundos, valores mobiliários e outros ativos financeiros no país. A proposta agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir ao plenário.

O objetivo central do projeto é modernizar a estrutura do SPB e elevar o patamar de segurança das transações, com atenção especial a operações como o Pix, que se tornou um fenômeno no cotidiano dos brasileiros. Além disso, a iniciativa busca fortalecer o poder de regulação e fiscalização das autoridades competentes, garantindo um ambiente mais estável e confiável para consumidores e empresas.

Entre as principais mudanças, o texto traz mais clareza às responsabilidades dos agentes reguladores, com definições mais precisas e uma atuação mais eficaz sobre os participantes do mercado. Um ponto de destaque é o foco no gerenciamento de riscos, com medidas para minimizar o chamado risco de liquidação – quando uma instituição não cumpre as obrigações assumidas em transações financeiras.

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Essa preocupação se volta especialmente para as instituições operadoras de infraestruturas do mercado financeiro (IMF), que são responsáveis por intermediar desde o pagamento de boletos até negociações complexas de títulos e ativos. Para o relator da matéria, senador Rogério Carvalho (PT-SE), o sucesso do Pix é uma prova da importância crescente dessas IMFs. "O desenvolvimento e a difusão do Pix entre as pessoas físicas e jurídicas no Brasil é uma prova eloquente da importância crescente das IMFs para melhor servir à população em seu cotidiano e dinamizar os negócios e a economia", afirmou. Ele ainda destacou que "a proposta também tem o mérito de dar melhor tratamento à mitigação dos riscos nesses ambientes de negócios, o que é essencial para o funcionamento adequado dos mercados".

De acordo com o projeto, o Banco Central terá a prerrogativa de definir quais operadoras de IMF serão consideradas sistemicamente importantes, como aquelas com grande volume de operações. Essas instituições deverão contar com a atuação de uma contraparte central ou de um garantidor para assegurar a liquidação das obrigações. A contraparte central é uma instituição que se interpõe entre as partes de uma transação, assumindo o risco de crédito de ambas e garantindo a liquidação. Já o garantidor é uma instituição que assume a responsabilidade de honrar as obrigações de um participante caso este não cumpra seus compromissos.

O texto estabelece que o Banco Central ou bancos públicos não poderão atuar como contrapartes centrais ou garantidores, exceto em situações específicas previstas na legislação. Essa medida visa evitar conflitos de interesse e garantir a independência na regulação do sistema.

A aprovação na CAE é um passo importante na tramitação do projeto, que agora aguarda o aval da CCJ. Se aprovada, a proposta seguirá para o plenário do Senado e, posteriormente, para a Câmara dos Deputados, antes de ser sancionada pela Presidência da República. A expectativa é que o novo marco legal traga mais transparência, segurança e eficiência ao sistema de pagamentos brasileiro, acompanhando a evolução tecnológica e as demandas do mercado.