A saúde pública do Paraná deu um passo importante nesta quarta-feira (25), durante a primeira reunião ordinária de 2026 da Comissão Intergestores Bipartite (CIB/PR). O encontro, realizado no evento Saúde em Movimento, em Pinhais, reuniu gestores estaduais e municipais para discutir temas cruciais que vão moldar o atendimento à população nos próximos meses. Tecnologia, regionalização, oncologia, imunização e pactuação estiveram no centro dos debates, demonstrando como decisões coletivas impactam diretamente a vida dos paranaenses.
Embora pouco conhecida pelo grande público, é na CIB que ocorrem as pactuações entre o Governo do Estado e os 399 municípios paranaenses. O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, destacou a importância desse espaço democrático: "A CIB é o espaço onde a Sesa e os municípios se sentam como iguais para decidir como os recursos serão aplicados e quais metas devem ser priorizadas". Durante a reunião, foi anunciado um investimento de R$ 1,1 bilhão na área da saúde, com R$ 650 milhões destinados ao programa Opera Paraná, de cirurgias eletivas.
O presidente do Conselho de Secretarias Municipais da Saúde (COSEMS-PR), Fabio de Mello, expressou a emoção do momento: "Esse primeiro encontro da CIB de 2026 é um momento de emoção e avanços importantes para a saúde dos paranaenses. É importante destacar que hoje pactuamos aqui avanços para cirurgias, recursos para saúde mental, hospitais, gestantes e isso tudo só demonstra que o Estado estruturado tem condição de aplicar recursos na saúde, e isso significa promoção de qualidade de vida para a população".
Entre os temas discutidos, a tecnologia ganhou destaque com avanços na saúde digital, incluindo a implementação da Teleconsulta no SUS no Paraná e a instalação de kits via Novo PAC Saúde. Novos sistemas como o VigiO-TB para controle da tuberculose e a padronização no SIGSUS buscam maior eficiência na gestão.
A regionalização também foi ponto central, com a 1ª fase do programa Regionaliza Mais Paraná focando em aportes financeiros para Consórcios Intermunicipais de Saúde (CIS) e Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), estruturas essenciais para reduzir filas por consultas especializadas no interior.
Na área de oncologia, a CIB atualizou a grade de referências de alta complexidade, definindo quais hospitais receberão casos de câncer, e estabeleceu novas diretrizes para o manejo de gestantes com pré-eclâmpsia e eclâmpsia, visando reduzir a mortalidade materna.
A imunização para 2026 também passou pelo crivo dos gestores, com estratégias de vacinação e organização de "Dias D" de mobilização estadual para garantir distribuição equilibrada em todas as Regionais de Saúde.
O processo de pactuação é um dos pilares fundamentais da CIB. As decisões não são impostas, mas construídas por consenso entre Estado e municípios, com representação igualitária (metade para cada parte) e transparência total. As reuniões são públicas e transmitidas ao vivo, e toda decisão pactuada vira uma Resolução CIB, que orienta juridicamente o funcionamento do SUS no Estado.
O evento Saúde em Movimento 2026, promovido pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) entre quarta e quinta-feira (24 e 26), serviu como palco para essas discussões, reunindo diretores e técnicos da Sesa, secretários municipais de saúde, representantes do COSEMS/PR, diretores de consórcios intermunicipais, tutores do PlanificaSUS Paraná, coordenadores da Atenção Primária à Saúde (APS), Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE).

