Três anos após as chuvas devastadoras do Carnaval de 2023 que deixaram 64 mortos, centenas de desabrigados e um rastro de destruição no Litoral Norte paulista, São Sebastião vive um processo de reconstrução que já consumiu mais de R$ 1 bilhão em investimentos do Governo do Estado de São Paulo. O montante tem sido aplicado em moradias definitivas, infraestrutura urbana, reflorestamento e medidas de prevenção para evitar novas tragédias.
Entre as ações prioritárias está a entrega de 704 moradias definitivas para famílias que perderam tudo nos deslizamentos, com investimento de R$ 260,4 milhões. Outras 256 unidades habitacionais estão em construção, com aporte de R$ 68,9 milhões. As novas casas têm tirado pessoas dos abrigos e devolvido a dignidade a centenas de famílias.
A diarista Greice dos Santos, de 28 anos, foi uma das beneficiadas. Ela perdeu sua casa no desastre e hoje mora em uma residência própria em Maresias. "Naquele dia, quase perdi meu filho. Retirei ele debaixo dos escombros da casa, e ainda tenho medo quando começa a chover, mas agora me sinto mais segura", conta. "Antes eu pagava aluguel, aqui a casa é minha, fica em um lugar seguro, não é área de risco, não tem barranco. A minha vida e da minha família melhorou bastante. Foi uma benção de Deus".
O aposentado Edvaldo Quirino de Santana, de 73 anos, também recebeu nova moradia no CDHU Baleia Verde, em São Sebastião. Ele sobreviveu ao deslizamento na Vila Sahy, o local mais afetado pela tragédia. "Eu perdi amigos e vizinhos soterrados. Desci o morro gritando para a vizinhança que o morro estava desabando", relembra. "Se não fosse essa casa dada pelo Governo do estado, eu não tinha mais nada. Todo mundo ganhou sua casa aqui e agora estamos mais tranquilos, aqui não enche, a água não empossa. Essa casa representa tudo para mim".
Além das moradias, o Governo de São Paulo investiu R$ 108,6 milhões em obras emergenciais logo após o desastre, incluindo limpeza e desobstrução de vias, reconstrução de pistas, implantação de muros de contenção e projetos de drenagem em pontos vulneráveis. Na Vila Sahy, o eletricista João Bosco Oliveira, de 48 anos, destaca as melhorias. "Melhorou bastante. Hoje temos sistemas de drenagem e piscinões. A drenagem funciona 99%, temos pavimentação e depois que a Sabesp veio para cá, mudou muita coisa por aqui".
João Bosco também ressalta as medidas preventivas adotadas pela Defesa Civil, como instalação de sirenes de alerta, sistema de envio de mensagens pelo celular e treinamento para situações de emergência. "Se tivéssemos todas essas informações antes poderíamos ter salvo mais pessoas", reflete.
O reflorestamento das áreas de encosta foi tratado como prioridade através do projeto Restaura Litoral Norte, em parceria com o Instituto Conservação Costeira. Foram mais de 200 hectares reflorestados - equivalente a 280 campos de futebol - com investimento de R$ 908 mil para conter erosão e prevenir novos deslizamentos.
No setor de saneamento, R$ 29 milhões foram injetados para ampliar o abastecimento de água e tratamento de esgoto, elevando o índice de abastecimento no município para 95% e beneficiando cerca de 30 mil pessoas. A educação também recebeu atenção especial, com R$ 54 milhões destinados à reconstrução da Escola Estadual Plínio Gonçalves e construção da Escola Municipal Nair Ribeiro e da creche Juquehy 2, ampliando em cerca de 1 mil vagas a oferta de ensino público.
Para a retomada econômica, o Governo disponibilizou linhas emergenciais de crédito pelo Banco do Povo, com R$ 30 milhões liberados, e uma linha de aproximadamente R$ 500 milhões pela Desenvolve SP, com cerca de R$ 5 milhões já disponibilizados para municípios e empresários. O setor agropecuário e pesqueiro recebeu R$ 12 milhões para 117 pescadores e produtores, além de R$ 3 milhões para 61 produtores pelo FEAP Litoral.
O processo de reconstrução continua, mas os moradores de São Sebastião já começam a ver os frutos dos investimentos. Como resume Greice dos Santos: "A minha vida e da minha família melhorou bastante" - um sentimento que ecoa entre centenas de famílias que estão reconstruindo suas vidas três anos após uma das maiores tragédias climáticas do litoral paulista.

