No ano em que São Paulo celebra 472 anos de fundação, a cidade testemunha uma revolução sobre trilhos. O Governo do Estado está conduzindo o maior ciclo de expansão ferroviária de sua história, um movimento que promete redefinir o deslocamento de milhões de paulistanos. O programa SP nos Trilhos concentra investimentos bilionários e a entrega de novas linhas de metrô, marcando 2025 como um ano histórico para a mobilidade urbana.
O pacote de obras já consumiu R$ 57 bilhões em investimentos, valor que sustenta não apenas as novas linhas, mas também a expansão de outras já existentes, como a 4-Amarela e a 15-Prata. Desse total, R$ 14 bilhões estão destinados à expansão de 22 km da rede ferroviária nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, superando os índices de execução de administrações anteriores. Trata-se de um esforço sem precedentes para conectar regiões e reduzir o tempo perdido no trânsito.
A primeira grande entrega do ano foi a Linha 17-Ouro, inaugurada em março. Com 6,7 km e oito estações, ela conecta o Aeroporto de Congonhas à Estação Morumbi, integrando-se às linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás. A nova rota beneficia passageiros que circulam por Pinheiros, Santo Amaro, Moema e Osasco, com previsão de transportar até 100 mil pessoas por dia, oferecendo mais rapidez e praticidade em um corredor vital da cidade.
Outra obra transformadora é a Linha 6-Laranja, cuja primeira fase, entre Brasilândia e Perdizes, deve começar a operar até o fim do segundo semestre. Com 15,3 km e 15 estações totalmente subterrâneas, a linha ligará a zona norte ao centro, reduzindo um trajeto de 1h30 de ônibus para cerca de 23 minutos de metrô. O investimento é de R$ 19,1 bilhões, e a expectativa é atender 633 mil passageiros diariamente.
Conhecida como "Linha das Universidades", a 6-Laranja terá estações estrategicamente localizadas no entorno de instituições como PUC, Mackenzie, FAAP, Unip e FMU, com acesso direto dentro do campus da FAAP. Curiosamente, uma vez inaugurada, ela abrigará as quatro estações mais profundas do metrô paulistano, sendo a mais funda a Itaberaba-Hospital Vila Penteado, no Jardim Iracema, com impressionantes 65,7 metros de profundidade – superando a atual recordista, Santa Cruz, da Linha 1-Azul, com 41,5 metros.
Na zona leste, a expansão da Linha 2-Verde da Vila Prudente até a Penha já ultrapassou 55% de execução. A obra adicionará 8 km e oito novas estações, beneficiando diretamente 300 mil pessoas. A interligação com a Linha 3-Vermelha na Estação Penha e a criação de uma nova estação da CPTM vão oferecer mais opções de deslocamento para os moradores do extremo leste. A meta é concluir essa primeira fase até 2028, com uma segunda etapa prevista para estender a linha até Guarulhos, adicionando 5,8 km e cinco estações.
Por trás desses projetos está o programa SP nos Trilhos, que consolidou em 2025 o maior ciclo de expansão ferroviária do estado. A iniciativa reúne mais de 40 projetos de mobilidade urbana, com cerca de R$ 190 bilhões em investimentos estimados (já contratados ou em fase de modelagem). Ao todo, são mais de 1.000 km de novas linhas, integrando a Grande São Paulo ao interior e ao litoral.
O programa estima a geração de aproximadamente 150 mil empregos e tem como foco ampliar a mobilidade, reduzir desigualdades regionais e dinamizar economias locais. Dentro do SP nos Trilhos estão incluídos projetos como a implementação das Linhas 19-Celeste, 20-Rosa e 22-Marrom, a construção e ampliação da Linha 6-Laranja, a expansão das Linhas 2-Verde, 4-Amarela e 5-Lilás, a finalização da Linha 17-Ouro, e a concessão de linhas de trens metropolitanos, como as do Lote Alto Tietê (Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade) e do Lote ABC Guarulhos (Linha 10-Turquesa e futura Linha 14-Ônix).
Enquanto São Paulo comemora quase cinco séculos de história, esses investimentos em trilhos escrevem um novo capítulo, prometendo não apenas mudar a forma como a cidade se move, mas também melhorar a qualidade de vida de seus habitantes, conectando comunidades e impulsionando o desenvolvimento em todas as regiões.

