Praticar exercícios físicos regularmente deixou de ser um hábito restrito a atletas e jovens para se tornar uma realidade crescente entre os idosos paulistas. Dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo (Seade) mostram uma transformação significativa no perfil dos esportistas do estado: enquanto em 2019 apenas três em cada dez pessoas com mais de 60 anos praticavam alguma atividade física, em 2025 esse índice saltou para 52%. O avanço revela uma maior conscientização sobre os benefícios do autocuidado e da manutenção da funcionalidade física na terceira idade.
O estudo, que ouviu moradores de todas as regiões de São Paulo por meio de entrevistas remotas em setembro de 2025, compara os hábitos atuais com pesquisas realizadas em 2019, 2023 e 2024. Os números indicam que o exercício físico foi incorporado por boa parte da população paulista, com mais da metade dos habitantes do estado se declarando ativos atualmente. Em 2019, essa porcentagem era de apenas 39%.
No entanto, enquanto os idosos dão um exemplo de mudança de comportamento, os jovens paulistas apresentam uma tendência preocupante. Entre a população com até 29 anos, houve uma queda de oito pontos percentuais no último ano na prática de atividades físicas, passando de 61% para 53%. Segundo analistas do Seade, o recuo pode ser explicado pela diminuição do interesse por comportamentos saudáveis, que foram bastante estimulados durante a pandemia, e pela retomada das atividades presenciais de estudo e trabalho, que reduziram o tempo disponível para o lazer ativo.
A pesquisa também revela padrões consistentes quando o assunto é perfil socioeconômico. A adesão à prática de atividades físicas é maior entre os homens e cresce conforme aumenta a escolaridade e a renda familiar. Esses dados sugerem que o acesso a informações sobre saúde e a recursos como academias, parques e equipamentos esportivos ainda é desigual no estado mais rico do país.
Entre os que já adotaram a rotina de exercícios, o comprometimento é notável. Oito em cada dez praticantes afirmam realizar atividades duas ou mais vezes por semana, enquanto três em cada dez dedicam mais de uma hora diária para práticas esportivas. Esses índices refletem uma percepção consolidada sobre os benefícios da regularidade, que vão desde a prevenção de doenças crônicas até a melhoria da saúde mental.
Os especialistas em saúde pública veem com otimismo o crescimento da atividade física entre os idosos, mas alertam para a necessidade de políticas que incentivem os mais jovens a manterem hábitos saudáveis. "A pandemia nos mostrou a importância da atividade física para a imunidade e o bem-estar, mas precisamos garantir que essa mensagem não se perca com o retorno à normalidade", comenta um pesquisador do Seade que acompanhou o estudo.
Para os próximos anos, o desafio será equilibrar os avanços conquistados em algumas faixas etárias com a necessidade de reengajar os jovens. Programas comunitários, incentivos em escolas e universidades, e a criação de espaços públicos acessíveis para a prática esportiva aparecem como caminhos promissores para manter São Paulo na rota de uma vida mais ativa e saudável para todos os seus habitantes.

