A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) deu um passo importante para elevar a qualidade do ensino público ao firmar uma parceria estratégica com a Harvard Graduate School of Education, por meio do Education Lab for Latin America (ELLA). O acordo, formalizado nesta semana, tem como objetivo desenvolver, implementar e avaliar políticas públicas que possam impulsionar o aprendizado dos estudantes, com foco especial nas disciplinas de língua portuguesa e matemática, que são consideradas bases essenciais para o desenvolvimento educacional.
O secretário da Educação, Renato Feder, enfatizou que essa iniciativa se soma a outras já em andamento na rede estadual. "Temos, agora, mais aliados que vêm para acrescentar ao nosso empenho, desde o início da gestão, para não deixar nenhum estudante para trás", afirmou ele. Feder destacou medidas recentes, como o aumento da carga horária dessas disciplinas no Ensino Médio, a inclusão de educação financeira e redação no currículo, e a implantação do programa Aluno Monitor do BEEM, no qual estudantes recebem bolsas para auxiliar colegas com dificuldades.
Os resultados desses esforços já começam a aparecer. De acordo com o secretário, após uma década, a educação paulista registrou um aumento nas notas de língua portuguesa e matemática em todas as séries avaliadas pelo Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) em 2024. "As expectativas para que a gente colha o resultado das nossas ações e, mais para frente, dessa parceria, são as melhores possíveis", complementou Feder, lembrando que as escolas estão finalizando a aplicação do Saeb e se preparando para o Saresp de 2025.
A parceria será coordenada por um Comitê de Gestão Conjunta, que terá a responsabilidade de alinhar estratégias, supervisionar projetos e coordenar ações entre as instituições. Entre as atividades previstas estão a troca de conhecimento por meio de workshops e reuniões técnicas, o desenvolvimento de projetos de pesquisa e programas-piloto, e a promoção de políticas públicas baseadas em evidências científicas. Jair Ribeiro, fundador e presidente da Associação Parceiros da Educação, que apoia a iniciativa, explicou que o foco inicial é reduzir as desigualdades educacionais e garantir o direito de aprender. "Componentes estruturantes como português e matemática permitem o desenvolvimento de competências mais complexas", disse ele.
Ribeiro detalhou que os esforços incluem melhorias em currículo, material pedagógico, avaliação, formação de professores e o componente socioemocional, além de ações direcionadas à gestão integral e ao uso de indicadores educacionais. A parceria também prevê avaliações de impacto para medir os efeitos das políticas aplicadas, usando modelos matemáticos que já foram testados em redes municipais. "É algo que sabemos o potencial para reduzir defasagens de aprendizagem", afirmou, ressaltando a importância de soluções baseadas em evidências e adaptadas à realidade das escolas.
Atualmente, a Parceiros da Educação atua em mais de 740 escolas públicas de São Paulo, impactando cerca de 7,5 milhões de estudantes. Ribeiro enfatizou que a iniciativa é uma construção conjunta entre governo, academia e sociedade civil, buscando traduzir conhecimento científico em práticas eficazes. "Acreditamos que esse ciclo virtuoso fortalece a capacidade de execução da rede pública e assegura que os aprendizados gerados no campo orientem decisões estratégicas em escala sistêmica", concluiu.
A ideia é expandir a rede de colaboração, envolvendo outras universidades brasileiras, organizações do terceiro setor e secretarias municipais de educação, com o objetivo de fortalecer a pesquisa aplicada e a inovação no setor educacional. Com essa união de esforços, São Paulo espera não apenas melhorar indicadores, mas transformar a vida de milhões de alunos, garantindo um futuro mais promissor por meio da educação de qualidade.

