O programa São Paulo São Libras, lançado em 2023 pelo Governo de São Paulo, já realizou mais de 21 mil atendimentos com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), marcando um avanço significativo na acessibilidade dos serviços públicos estaduais. A plataforma conecta cidadãos surdos a profissionais por meio de videochamadas, permitindo a mediação da comunicação em órgãos como delegacias, unidades do Poupatempo e, mais recentemente, nas estações do Metrô.

Durante os atendimentos, os intérpretes traduzem as informações entre Libras e português, garantindo que pessoas surdas possam compreender e ser compreendidas em suas demandas junto aos servidores públicos. "A plataforma contribui para a inclusão comunicacional e auxilia no cumprimento da legislação voltada aos direitos das pessoas com deficiência", afirmou o secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência de SP, Marcos da Costa. Ele destacou que a iniciativa fortalece a participação social e a autonomia da população surda, representando um passo importante rumo a uma sociedade mais inclusiva.

A rotina dos intérpretes envolve diferentes tipos de serviços. Nos postos do Poupatempo, são comuns solicitações como renovação de documentos de identidade ou questões relacionadas à carteira de habilitação. Já nas delegacias, a mediação é crucial para que pessoas surdas possam registrar ocorrências e relatar situações detalhadamente às autoridades policiais.

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A intérprete Jeane Pascale, que atua no programa há cerca de oito anos e é filha de pais surdos, compartilhou experiências marcantes. Em um caso recente, intermediou a comunicação de uma vítima surda de golpe financeiro, que conseguiu registrar um boletim de ocorrência após realizar uma transferência por Pix para um contato fraudulento. "Conseguimos intermediar a comunicação para que ela explicasse toda a situação", relatou Jeane. Em outra ocasião, intérpretes foram acionados por socorristas que atendiam uma vítima surda em um atropelamento na capital, ajudando não só na comunicação, mas também a acalmar a pessoa em momento de vulnerabilidade.

Para Jeane, o programa amplia as possibilidades de acesso a serviços. "O São Paulo São Libras é de extrema importância porque permite que a pessoa surda tenha independência para resolver as próprias demandas", explicou. Ela observa que, durante os atendimentos, muitas pessoas surdas se surpreendem ao descobrir a disponibilidade do serviço, exclamando: "Nossa, tem acessibilidade, tem intérprete!".

Uma novidade recente é a expansão do programa para o Metrô de São Paulo. Desde quarta-feira (18), passageiros surdos podem contar com videochamadas ao vivo e gratuitas com intérpretes do São Paulo São Libras nas estações. Na primeira fase, o atendimento está disponível nas linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata do Monotrilho, totalizando 63 estações que transportam cerca de 3,2 milhões de passageiros diariamente. Até o final de março, o serviço deve chegar também às estações da futura Linha 17-Ouro.

Para acionar o sistema, basta escanear um QR Code afixado nas estações, próximo aos pontos de atendimento ou linhas de bloqueio, e iniciar uma chamada com um intérprete. O profissional faz a mediação em tempo real entre o passageiro e o funcionário do Metrô, traduzindo a conversa entre Libras e português. Essa parceria entre o Metrô e a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência visa garantir autonomia e tranquilidade aos usuários surdos.

O São Paulo São Libras integra as políticas públicas do Governo de São Paulo voltadas à promoção da inclusão e acessibilidade. Ao reconhecer a Libras como instrumento essencial para a comunicação e participação social, o programa fortalece o direito à informação e ao atendimento em igualdade de condições, demonstrando na prática o impacto positivo da tecnologia na vida das pessoas com deficiência.