O Governo de São Paulo deu um passo importante no fortalecimento da ética e da transparência nas forças de segurança do estado. Nesta segunda-feira (16), foi publicada no Diário Oficial a reestruturação da Unidade de Gestão de Integridade (UGI), setor responsável por identificar riscos e implementar ações preventivas contra corrupção e outras práticas ilícitas nas Polícias Civil, Militar e Técnico-Científica.
A unidade, que agora conta com nove integrantes escolhidos entre as três instituições policiais, tem como missão coordenar, elaborar, executar e monitorar ações voltadas para o fortalecimento da integridade. A escolha dos membros foi baseada em critérios rigorosos: experiência profissional, capacitação técnica e reputação dentro das corporações.
À frente da UGI está a delegada Alexandra Comar de Agostini, profissional com mais de 31 anos de carreira, grande parte dedicada à Corregedoria da Polícia Civil e à Controladoria-Geral do Estado. Em entrevista, ela deixou claro o propósito do trabalho: "Nosso objetivo é identificar riscos e implementar ações para minimizar ou eliminar completamente esses riscos. Nossa ação é preventiva e não repressiva".
A coordenadora destacou a diferença fundamental entre a atuação da UGI e das corregedorias tradicionais. Enquanto estas entram em cena após a ocorrência de irregularidades, o foco da nova unidade é evitar que os problemas aconteçam. "A Corregedoria de cada polícia entra em ação quando o policial já cometeu uma infração ou um crime. Já a Unidade de Gestão de Integridade atua antes disso. É um trabalho preventivo, para evitar que essas práticas aconteçam", explicou.
Para a delegada, a reestruturação demonstra o compromisso da atual gestão da Segurança Pública com valores fundamentais. "Essa iniciativa mostra o comprometimento da alta administração com os valores de integridade, ética e legalidade no serviço público. É um trabalho inovador que reforça a transparência e o combate à corrupção dentro das instituições".
Além do impacto interno, Alexandra Comar de Agostini acredita que a atuação da UGI contribuirá para fortalecer a confiança da população nas forças de segurança. "Quando a administração pública cria mecanismos para prevenir irregularidades e melhorar o serviço prestado, ela demonstra responsabilidade e compromisso com a sociedade", afirmou.
Na prática, a UGI funcionará a partir da identificação de possíveis riscos nas instituições policiais. Com base nessa análise, a unidade poderá propor diferentes medidas preventivas, como a criação de protocolos, normas internas, treinamentos e orientações específicas para os profissionais da segurança pública.
Um exemplo concreto citado pela coordenadora é a melhoria no atendimento à população. "Se identificarmos que existe risco de mau atendimento ao público, podemos propor capacitações, elaborar cartilhas com protocolos de abordagem e orientar os policiais sobre como deve ser o atendimento ao cidadão. Assim, não será possível alegar falta de orientação. Esse procedimento passará a ser uma regra dentro da instituição".
A reestruturação da UGI representa uma mudança de paradigma na gestão da integridade nas polícias paulistas. Ao priorizar a prevenção em vez da simples repressão, o governo estadual busca criar uma cultura organizacional mais ética e transparente, com potencial para gerar impactos positivos tanto no funcionamento interno das instituições quanto na relação com a sociedade.

