O governo de São Paulo oficializou nesta quinta-feira (11) as Rotas da Cachaça de São Paulo, um ambicioso projeto que mapeia oito circuitos turísticos distribuídos por 65 municípios paulistas. A iniciativa busca apresentar a diversidade de produtores do estado e as vivências culturais relacionadas à bebida que se tornou um símbolo nacional.
A cachaça, com quase 500 anos de história no Brasil, é um dos destilados mais emblemáticos do país. São Paulo se consolida como um dos principais polos de produção, pesquisa e consumo, liderando as exportações brasileiras com 6,6 milhões de litros enviados ao exterior – o equivalente a 46% do total nacional. Os números impressionam: o estado é responsável por 30,7% dos empregos ativos na fabricação de aguardente de cana-de-açúcar em 2024, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, e representa 52,5% dos códigos de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) registrados no país para o setor.
Classificadas em oito rotas – Serras Paulistas, Mogiana, Noroeste, Cuesta, Itaqueri e Tietê, Centro Paulista, Frutas e Bandeirantes, Circuito das Águas e Alta Paulista –, as rotas reúnem 65 produtores da bebida alcoólica mais antiga do Brasil. O leque vai desde alambiques centenários até destilarias contemporâneas premiadas internacionalmente, mostrando a evolução da produção paulista.
Entre os destaques históricos estão produtores tradicionais como o Engenho São Luiz (fundado em 1906), Mandaguahy (1858), Fazenda Benedetti (1929), JP (1925) e Zanoni. Já entre as referências modernas figuram destilarias como Sapucaia (1933), Santa Capela, Villaggio De Simoni, Brisa da Serra e a Companhia Müller de Bebidas, fabricante de uma das marcas brasileiras mais conhecidas no mundo.
O projeto inclui ainda sete Destinos de Experiências e oito Destinos de Negócios, integrando-se a outras iniciativas do governo estadual como as Rotas do Vinho, Rotas do Café e Rotas do Queijo de São Paulo. Todas essas rotas combinam e valorizam o turismo rural, a natureza, a história, proporcionando degustações e formação técnica.
Para o turista, o circuito oferece experiências diversificadas: visitas e degustações guiadas, trilhas ecológicas, almoços harmonizados e hospedagens rurais. No segmento de formação, o projeto prevê workshops e cursos com temática voltada para o turismo histórico e vivências imersivas com famílias produtoras. Em regiões como o Vale do Ribeira e o Circuito das Águas, o roteiro se integra à natureza, com propriedades que unem sustentabilidade, conservação ambiental e gastronomia.
"São Paulo está valorizando sua cadeia produtiva desde o lançamento das Rotas do Vinho. Seguimos e anunciamos as Rotas do Café, Rotas do Queijo e agora as Rotas da Cachaça, que coroam este trabalho de valorização do nosso turismo rural", afirmou o secretário de Turismo e Viagens, Roberto de Lucena.
As rotas incluem também polos de pesquisa e inovação, como o Grupo de Estudos da Cadeia da Cachaça da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (GECCA/APTA), responsável pela metodologia do Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista, e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que mantém uma carta exclusiva com 86 rótulos e promove ações de formação. Todas essas instituições estão vinculadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Atualmente, existem 1.266 estabelecimentos elaboradores de cachaça registrados no Brasil, de acordo com o Anuário da Cachaça 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária. São Paulo experimentou crescimento de 5,9% nos registros de estabelecimentos elaboradores de cachaça em 2024, demonstrando o dinamismo do setor no estado.
O projeto representa mais uma ação intersecretarial sob coordenação da Casa Civil, com contribuições das Secretarias de Turismo e Viagens; Agricultura e Abastecimento; Cultura e Economias Criativas; Desenvolvimento Econômico e da Invest SP. A iniciativa consolida São Paulo não apenas como potência econômica da cachaça, mas também como destino turístico capaz de contar a história brasileira através de seus sabores e tradições.

