O governo de São Paulo deu um passo importante para fortalecer a educação profissional no estado ao sancionar a Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026, que destina R$ 3 bilhões para investimentos no ensino médio técnico. O valor representa um crescimento de cerca de 16% em relação aos R$ 2,5 bilhões destinados ao setor em 2025, demonstrando um compromisso crescente com a formação técnica dos jovens paulistas.

O orçamento estadual total para 2026 é de R$ 382,3 bilhões, superando o de 2025 em aproximadamente R$ 10 bilhões. Desse montante, R$ 31,6 bilhões são reservados para investimentos diretos e inversões financeiras, especialmente em projetos de infraestrutura e logística, como o emblemático túnel Santos-Guarujá. No entanto, o destaque fica para a educação profissional, que recebe uma fatia significativa e crescente dos recursos.

A divisão do orçamento para o ensino médio técnico e a educação profissionalizante ocorre principalmente entre a Secretaria de Educação (Seduc-SP) e o Centro Paula Souza, autarquia estadual vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, que administra escolas técnicas (Etecs) e faculdades de tecnologia. Os números detalhados mostram que, em 2026, o ensino técnico integrado ao médio receberá R$ 1,12 bilhão, o desenvolvimento da educação profissional técnica terá R$ 1,71 bilhão, a formação articulada (AMS) contará com R$ 501 mil, e a oferta de aulas de educação técnico-profissional será de R$ 150 milhões.

Publicidade
Publicidade

Esse investimento vem acompanhado de um crescimento expressivo nas matrículas. Desde 2023, o número de estudantes no currículo duplo (que combina ensino médio regular com formação técnica) mais que dobrou, passando de 137 mil para mais de 321 mil em 2025. Atualmente, 40% dos alunos das 2ª e 3ª séries do ensino médio no estado estão matriculados nessa modalidade. Com isso, São Paulo caminha para alcançar a média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é de 44% de estudantes no ensino médio técnico.

Na rede estadual de ensino, os alunos têm acesso à formação técnica profissional de quatro formas diferentes: com professores contratados pela Seduc-SP, nas próprias escolas; com professores das Etecs, com aulas que também acontecem nas escolas estaduais; com aulas nas unidades do Senai, em períodos ou dias opostos às aulas regulares; e com aulas nas unidades do Senac, de forma similar ao Senai. Essa diversidade de oferta permite que os estudantes escolham o modelo que melhor se adapta às suas necessidades e rotinas.

São 11 cursos oferecidos dentro das próprias escolas estaduais, ministrados por professores da Seduc-SP e do Centro Paula Souza: administração, agronegócio, ciência de dados, desenvolvimento de sistemas, eletrônica, enfermagem, farmácia, hospedagem, logística, meio ambiente e vendas. Quando se somam os cursos oferecidos pelo Senai e Senac, o número sobe para 60 formações diferentes à disposição dos estudantes da rede, abrangendo áreas como tecnologia, saúde, gestão e meio ambiente.

Além da formação em sala de aula, os estudantes do ensino médio técnico também têm acesso a oportunidades práticas por meio do programa Bolsa Estágio Ensino Médio (BEEM). O programa oferece estágios remunerados e deve chegar a 30 mil beneficiados em 2026. Até o final de 2025, mais de 2.900 empresas estavam conveniadas ao programa, e cerca de 10 mil estagiários devem ser contratados – uma marca que deve triplicar no ano que vem.

Voltado a estudantes das 2ª e 3ª séries do itinerário de formação técnica profissional, o BEEM atende jovens com idade mínima de 16 anos, frequência escolar igual ou superior a 85% e participação no Provão Paulista Seriado no ano anterior à seleção. Esses critérios garantem que os beneficiários estejam comprometidos com os estudos e preparados para ingressar no mercado de trabalho.

O aumento no orçamento e nas matrículas reflete uma estratégia do estado para qualificar a mão de obra e reduzir a evasão escolar, ao mesmo tempo em que prepara os jovens para as demandas do mercado. Com investimentos robustos e uma oferta diversificada de cursos e estágios, São Paulo fortalece seu papel como líder na educação profissional no Brasil, aproximando-se dos padrões internacionais e criando mais oportunidades para a nova geração de trabalhadores.