O Governo do Estado de São Paulo deu mais um passo na ampliação da rede de cuidado a pessoas em processo de reabilitação psicossocial com a inauguração, nesta quinta-feira (4), de um novo complexo de Casas Terapêuticas no Tucuruvi, região norte da capital paulista. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS), representa um investimento de R$ 1,8 milhão e oferece um modelo de acolhimento residencial que prioriza a humanização e a reintegração social.
Com capacidade para 45 vagas destinadas ao público masculino com transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas – muitas vezes agravados pela situação de rua –, o complexo foi estruturado para funcionar como um lar terapêutico. O custo mensal de manutenção é de R$ 157,5 mil, valor que garante equipe técnica qualificada e infraestrutura adequada para oferecer moradia, acompanhamento especializado e capacitação visando à conquista da autonomia.
"A entrega do complexo no Tucuruvi representa mais um passo decisivo do Governo de São Paulo na construção de uma rede de cuidado que realmente transforma vidas. Nosso compromisso é garantir acolhimento digno, humanizado e com oportunidades reais de reintegração social. Cada vaga, cada profissional e cada etapa desse processo foram pensadas para oferecer às pessoas a chance concreta de reconstruir sua trajetória com autonomia, segurança e novas perspectivas de futuro", afirma a secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém.
A unidade conta com uma equipe multidisciplinar composta por coordenadores, psicólogos, assistentes sociais, socioeducadores, pedagogos, mentores financeiros e arteterapeutas, entre outros profissionais. "É um equipamento profundamente humanizado, que olha para o cidadão desde a prevenção, passando pelo acolhimento e tratamento, e chegando ao acompanhamento dessa pessoa de volta ao mundo, à sua rotina e à retomada de seus laços sociais e familiares", completa a secretária.
O serviço de acolhimento é organizado em quatro fases: Acolher, Despertar, Transformar e Caminhar. Durante o processo, os acolhidos reaprendem tarefas de autocuidado, desenvolvem habilidades sociais e participam de terapias e atividades socioeducativas. As potencialidades individuais são incentivadas para o retorno aos estudos e ao trabalho, sempre com foco na autonomia. Após a conclusão das etapas, o acompanhamento técnico continua por seis meses para prevenir recaídas.
Um dos beneficiados pela nova unidade é D.C., de 46 anos, que mora com outros cinco homens na fase Despertar. "Está sendo um sonho", diz ele, com lágrimas nos olhos. Após sete anos vivendo em situação de rua, D.C. sofreu uma overdose e decidiu se internar por vontade própria. Passou três meses em um centro de desintoxicação e agora vive a experiência da Casa Terapêutica. "Eu tinha uma vida estruturada, trabalhava numa empresa, tinha minha casa, minha família. Mas depois do divórcio acabei caindo nas drogas. Aqui estou reconstruindo minha vida, retomando contato com a minha família e, depois de tanto tempo, vou poder passar o Natal com eles", relata.
Para Eliana Borges, da Diretoria de Política sobre Drogas da SEDS, o trabalho das Casas Terapêuticas é, antes de tudo, sobre possibilidades. "E são os próprios acolhidos que nos mostram novos caminhos. Cada troca nos ensina, nos faz ajustar rotas e construir um serviço que realmente faça sentido para eles. É por isso que digo que nada aqui é por acaso: tudo tem um motivo e é feito para os acolhidos", destaca.
Desde o início de 2023, a SEDS já implantou complexos de Casas Terapêuticas na capital paulista nos distritos do Tucuruvi, Penha, Aricanduva, Butantã, Lapa, Santana, Vila Mariana, Santo Amaro e Cursino, além dos municípios de Osasco, Guarulhos e São José do Rio Preto – este último com dois complexos, sendo um destinado ao público feminino e LGBTQIA+ e outro ao público masculino. No total, são 13 complexos em funcionamento.
As Casas Terapêuticas, por meio da Diretoria de Políticas sobre Drogas (DPOD), atuam de forma integrada com os sistemas de saúde, assistência social e educação, rompendo com a lógica da institucionalização e oferecendo um modelo de acolhimento residencial voltado à autonomia e à mobilidade social. A iniciativa integra as ações do Governo de São Paulo voltadas à promoção da dignidade, autonomia e cuidado integral às pessoas em situação de vulnerabilidade. Para 2026, está prevista a implantação de mais nove complexos, ampliando ainda mais a rede estadual de atenção psicossocial.

