O governo de São Paulo abre nesta quarta-feira (18) uma votação popular na Agência SP para escolher o nome da nova tuneladora que vai trabalhar na expansão da Linha 2-Verde do Metrô. No Mês da Mulher, o estado mantém a tradição de batizar essas máquinas gigantescas com nomes femininos fortes e inspiradores, reconhecendo brasileiras notáveis que impactaram gerações com pioneirismo, talento e determinação.

O "tatuzão", como os paulistas chamam o maquinário, chegou recentemente ao Porto de São Sebastião e será responsável por escavar entre as futuras estações Penha, na capital, e Dutra, no limite com Guarulhos. Com 133 metros de comprimento, 11,67 metros de diâmetro e peso total de 2.600 toneladas, é a maior tuneladora da América Latina.

Assim como as tuneladoras anteriores, que receberam os nomes de Lina, Tarsila e Cora Coralina (atualmente em operação na mesma linha), a ideia é homenagear mulheres que expandiram seu papel na sociedade. Para a nova máquina, o público pode escolher entre três nomes selecionados previamente pelo Metrô de São Paulo, pela Secretaria de Políticas para a Mulher e pela Secretaria de Comunicação.

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O critério para a escolha das finalistas foi o impacto transformador que representaram para a sociedade de seu tempo, pavimentando o caminho para as mulheres que vieram depois. A apresentadora Hebe Camargo, a cantora e pesquisadora Inezita Barroso e a tenista Maria Esther Bueno são precursoras na comunicação, na cultura e no esporte, protagonizando mudanças fundamentais em setores predominantemente masculinos.

Hebe Camargo (Taubaté, 1929-2012), eleita a Rainha da Televisão em 1960, nasceu em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Descoberta aos 13 anos em um concurso da Rádio Record, estreou na TV em 1950, na primeira transmissão televisiva do Brasil, liderando o primeiro programa feminino. Com um estilo de comunicação direto e próximo ao público, manteve-se no ar por seis décadas.

Inezita Barroso (São Paulo, 1925-2015) destacou-se como uma das grandes propagadoras da cultura popular. Apaixonada pela música caipira, formou-se em Biblioteconomia e dedicou-se a conhecer, cantar e gravar modas de viola e outros gêneros tradicionais. Apresentou programas como "Viola, Minha Viola" e gravou cerca de 80 discos.

Maria Esther Bueno (São Paulo, 1939-2018) é considerada a maior atleta do tênis no Brasil e na América Latina. Começou no esporte aos seis anos e conquistou 71 títulos de simples, incluindo quatro vitórias no US Open e duas em Wimbledon. Está no Livro dos Recordes por vencer a final do US Open de 1964 em apenas 19 minutos.

O equipamento iniciou a viagem no fim de janeiro, sendo trazido desmontado do porto de Taicang, na China, e chegou ao Brasil no início de março. A votação popular representa uma oportunidade para os paulistas participarem diretamente do processo de nomeação, escolhendo qual dessas mulheres inspiradoras dará nome à máquina que vai "cavar espaço" literalmente na expansão do metrô, assim como elas fizeram simbolicamente em suas áreas de atuação.