O estado de São Paulo recebeu nesta segunda-feira (23) o selo ouro do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). O reconhecimento veio após o estado atingir a meta de 57% estabelecida pelo Indicador Criança Alfabetizada (ICA), alcançando 58% dos estudantes da rede estadual e das 645 prefeituras paulistas com habilidades básicas de leitura e escrita em 2024.

Em cerimônia em Brasília, o secretário da Educação, Renato Feder, recebeu a premiação que coloca São Paulo entre os onze estados brasileiros que conquistaram a classificação máxima. Seis unidades federativas receberam o selo prata e uma o selo bronze. O estado paulista obteve 118 pontos em uma escala que vai até 150, considerando não apenas os resultados de aprendizagem, mas também iniciativas como formação de professores, distribuição de materiais didáticos e gestão educacional.

"O 'selo ouro' é resultado de um trabalho sólido de parceria entre o Estado e os 645 municípios paulistas, sintetizado no programa Alfabetiza Juntos SP", afirmou Feder. "Ao exercer o papel de coordenação da política educacional, a Secretaria da Educação mostra que, de forma colaborativa, é possível reverter problemas históricos e complexos. Tanto é que em apenas um ano, saímos do selo prata, obtido em 2024 (com dados de 23), para o de excelência".

Publicidade
Publicidade

Os números comprovam a evolução: na última avaliação de 2025, o programa Alfabetiza Juntos SP registrou mais de 330 mil crianças de até sete anos que sabem ler e escrever na idade certa – o equivalente a três em cada quatro avaliadas. O alcance inédito em 100% das cidades paulistas representa um salto significativo: dados da Avaliação de Fluência Leitora mostram que, comparando com 2023, as redes públicas avançaram em 50% a quantidade de crianças leitoras, que eram 220 mil naquele ano.

O programa estabelece dois níveis de desempenho para os alunos leitores: os fluentes, que leem mais de 65 palavras com 90% de precisão em um minuto, e os iniciantes, que conseguem ler 11 ou mais palavras, mesmo que de forma mais pausada. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) tem como meta atingir 90% dos estudantes como leitores iniciantes e fluentes até o final de 2026.

Para alcançar esses resultados, o Alfabetiza Juntos SP implementou uma série de ações em todo o estado: materiais de apoio ao Currículo Paulista (adotado em 572 municípios), a plataforma de leitura Elefante Letrado (presente em 436 cidades), formação de professores (atingindo 636 municípios, com 61,9 mil professores e 8.300 gestores municipais) e a plataforma Matific para apoio ao aprendizado de matemática (disponível em 275 cidades).

O reconhecimento ao trabalho desenvolvido se estende também aos municípios. Nesta semana, a Secretaria da Educação anunciou as 1.111 escolas municipais de 411 cidades paulistas vencedoras do Prêmio Excelência Educacional 2025, parte do programa Alfabetiza Juntos SP. As unidades que alcançaram metas individuais – calculadas a partir do Índice de Excelência Educacional (IEE), que considera proficiência em língua portuguesa e matemática no Saresp e fluxo escolar – recebem R$ 100 por estudante matriculado. Neste ano, o governo de São Paulo destinou R$ 32,5 milhões para o prêmio.

A iniciativa paulista ganhou até reconhecimento internacional. Em dezembro, a política foi validada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) por integrar o modelo CARE-KNOW-DO, desenvolvido pela pesquisadora Alexandra Okada, da The Open University no Reino Unido. O conceito divide-se em três pilares: CARE (cuidado e compromisso com a aprendizagem de todas as crianças), KNOW (conhecimento e estratégias baseadas em evidências) e DO (prática do aprendizado em situações reais das comunidades).

Esta abordagem é vista como contribuição relevante para o avanço do ODS 4 – um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU – reforçando que alfabetizar vai além do ensino técnico: é formar crianças capazes de compreender e transformar o mundo ao seu redor. O caminho percorrido por São Paulo mostra que, com planejamento, investimento e colaboração entre estado e municípios, é possível transformar a educação pública brasileira.