O estado de São Paulo comemora um marco histórico na educação: pela primeira vez, todas as 645 cidades paulistas participaram da avaliação de alfabetização, revelando que mais de 330 mil crianças de até 7 anos estão lendo e escrevendo na idade certa. Os dados da Avaliação de Fluência Leitora de 2025, divulgados pela Secretaria da Educação do Estado, mostram que três em cada quatro alunos do 2º ano do Ensino Fundamental atingiram esse patamar.
O programa Alfabetiza Juntos SP, que completa três anos com método unificado em parceria com as prefeituras, avaliou 432,3 mil estudantes das redes estadual e municipal. Desse total, 330,5 mil foram classificados como "alunos leitores" - um aumento de 50% em relação aos 220 mil registrados na primeira avaliação, em 2023. A base de avaliação cresceu com a adesão de todos os municípios, incorporando 58 mil alunos a mais que no ano anterior.
Entre os alunos leitores, a avaliação estabelece dois níveis de desempenho. São considerados fluentes aqueles que leram mais de 65 palavras com 90% de precisão em um minuto. Já os iniciantes conseguem ler 11 ou mais palavras, mesmo que de forma mais pausada. Considerando ambos os níveis, o estado alcançou 76,5% das crianças com 7 anos como leitoras.
"Consideramos que a maior conquista do ano passado foi a redução dos estudantes que estavam nos níveis mais baixos na categoria pré-leitores", afirmou Márcia Bernardes, diretora de cooperação com os municípios da Seduc-SP. "Isso mostra que estamos garantindo que os alunos cheguem ao 3º ano do Ensino Fundamental lendo, mesmo os 7% que leem pouco. Estamos corrigindo um problema histórico."
A evolução do programa pode ser medida em números concretos: em 2023, eram 64,2% de alunos leitores (220.863 crianças) em 562 municípios. Em 2024, o percentual saltou para 76,8% (287.494 crianças) em 622 cidades. Agora, em 2025, com a participação de todos os municípios, mantém-se o alto desempenho com 76,5% (330.557 crianças).
Para alcançar esses resultados, o Alfabetiza Juntos SP implementou uma série de estratégias: formação continuada para professores (que alcançou 61,9 mil profissionais e 8.300 gestores), fornecimento de material didático alinhado ao Currículo Paulista (adotado em 572 municípios), uso de plataformas tecnológicas como o Elefante Letrado (473 cidades) e a Matific (274 municípios), além do próprio sistema de avaliação.
A avaliação é realizada através de um aplicativo exclusivo do CAEd (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação), que grava a leitura dos alunos e agiliza o acesso aos resultados. Com base nesses dados, é calculado o Índice de Fluência Leitora (IFL), em uma escala de 0 a 10. Em 2025, a rede pública atingiu IFL de 6,8 (contra 6,3 em 2024), com a rede estadual alcançando 7,2 e as municipais 6,7.
Agora, a meta é ainda mais ambiciosa: atingir 90% dos estudantes como leitores iniciantes e fluentes em 2026. Para isso, a Seduc-SP ampliará o apoio pontual às cidades e escolas com resultados aquém do esperado. "Escolas e municípios prioritários terão monitoramento constante, estaremos ainda mais próximos no apoio à alfabetização", destacou Márcia Bernardes.
O investimento no programa também cresce significativamente: em 2026, serão R$ 500 milhões destinados às ações do Alfabetiza Juntos SP, representando um aumento de 66% em relação aos recursos anteriores. A primeira Avaliação de Fluência Leitora de 2026 já está marcada para o final de março, mantendo o monitoramento constante do avanço na alfabetização.
O reconhecimento do programa vai além das fronteiras estaduais: o Alfabetiza Juntos SP foi recentemente reconhecido pela Unesco como estratégia de cuidado e incentivo ao aprendizado de crianças. Para a diretora Márcia Bernardes, o sucesso está na cooperação: "É a primeira vez que o Estado e os municípios têm um planejamento pedagógico integrado. Essa é uma das primeiras ações deste ano para que, juntos, a gente alcance a meta".

