O estado de São Paulo deu mais um passo na consolidação de uma política pública inovadora para o turismo. Na última quarta-feira (11), o governo paulista oficializou a criação de dois novos Distritos Turísticos: o Alto da Mantiqueira e o Águas e Aventuras. Com essas adições, o estado passa a contar com nove áreas qualificadas sob esse modelo, que, juntas, têm a projeção de atrair cerca de R$ 15 bilhões em investimentos até 2030.

Mas o que são, exatamente, os Distritos Turísticos? Trata-se de demarcações geográficas de interesse econômico que exigem um Plano de Implementação rigoroso e uma estrutura de governança compartilhada entre prefeituras e iniciativa privada. São Paulo foi o primeiro estado brasileiro a implementar legalmente esse modelo, em 2021, por meio da Lei 17.374. O objetivo é claro: atrair capital privado para áreas de alto potencial turístico, oferecendo segurança jurídica e uma gestão organizada.

O novo Distrito Turístico Alto da Mantiqueira é formado pelos municípios de Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí. A região, conhecida pelo clima serrano e pela paisagem montanhosa, abrange uma extensão territorial impressionante de mais de 285 milhões de metros quadrados – o que corresponde a 42% da área total dos três municípios. O turismo na Mantiqueira se destaca pela excelência gastronômica, impulsionada pela produção local de azeites e vinhos. Um dos projetos âncoras do distrito é a recuperação da histórica Estrada de Ferro Campos do Jordão, que promete revitalizar ainda mais o potencial da região.

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Já o Distrito Turístico Águas e Aventuras surge com uma proposta voltada para o lazer familiar e o segmento de turismo de aventura. Composto por áreas de Águas de São Pedro, São Pedro e Brotas, o distrito cobre mais de 14 mil hectares. O polo oferece aos visitantes o acesso a águas terapêuticas e termais, consolidando a região como uma referência nacional em atividades ao ar livre e contato com a natureza.

"Os Distritos Turísticos não são apenas títulos geográficos, mas um ecossistema de atração de incentivos financeiros, simplificação administrativa e desenvolvimento regional. É uma política pública em expansão, com organização de conselho gestor e elaboração de projetos. Trata-se de uma iniciativa conjunta entre Estado, municípios e atores privados em prol de um bem comum: o desenvolvimento", afirma o secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Roberto de Lucena.

A instituição desses distritos marca uma nova fase na organização territorial do turismo paulista. Atualmente, o estado conta com dois distritos de características urbanas já em operação: o Distrito Turístico Urbano Centro de São Paulo e o Distrito Turístico de Santos. O distrito da capital, criado em 2024 em parceria com a prefeitura e o setor privado, já é um caso de sucesso: atraiu 215 novos empreendimentos de gastronomia, comércio e lazer, com investimentos que chegam a R$ 2 bilhões e potencial para atingir R$ 3,5 bilhões até 2030.

Em Santos, o foco está na preservação histórica e na cultura portuária. O distrito se divide em três núcleos estratégicos: o Núcleo Centro Histórico–Valongo, que prevê a instalação de um novo cais para passageiros e a revitalização de 173 prédios catalogados; o Núcleo Vila Belmiro, voltado para o potencial turístico-esportivo; e o Núcleo Mercado, que promoverá a recuperação do Mercado Municipal, a ser concedido à iniciativa privada como um novo polo gastronômico da Baixada Santista.

No noroeste do estado, o Distrito Turístico de Olímpia consolidou-se como o terceiro maior parque hoteleiro do Brasil, com mais de nove mil quartos em operação. O plano de investimentos privados soma R$ 2,7 bilhões até 2030 e inclui projetos ambiciosos, como a construção de um aeroporto internacional e um Centro de Convenções.

Outros distritos também mostram dinamismo. O Distrito Turístico Serra Azul, formado por Itupeva, Jundiaí, Louveira e Vinhedo, projeta aportes de R$ 2,8 bilhões e é considerado a principal candidata a receber parques de bandeiras internacionais no país, com empreendimentos como Wet’n Wild, Hotel Cyan Resort, Hopi Hari e Outlet Premium. No interior, o Distrito de Andradina impulsiona o mercado regional, atraindo turistas de estados vizinhos e do Paraguai, ancorado pelo parque Acqualinda e projetos de expansão que somam R$ 2,5 bilhões.

E não poderia faltar um distrito com foco ecológico. O Distrito Turístico Portal da Mata Atlântica se destaca como o primeiro distrito ecológico do Brasil. Integrando o Legado das Águas e outros doze estabelecimentos de referência no Alto Vale do Ribeira, o polo possui alto potencial para hotelaria de natureza de padrão internacional, com prioridade na melhoria de acesso e infraestrutura.

O processo para a criação de um Distrito Turístico é rigoroso. As candidaturas são submetidas por edital e precisam apresentar um Plano de Implementação detalhado, mapeamento completo e uma estrutura de governança. Uma comissão técnica analisa o mérito de cada proposta, garantindo que apenas áreas com alto potencial e projetos sólidos sejam qualificadas.

Com a adição do Alto da Mantiqueira e do Águas e Aventuras, São Paulo reforça sua posição como pioneiro e líder na implementação de um modelo que tem se mostrado eficaz para atrair investimentos, organizar o desenvolvimento regional e potencializar o turismo como vetor de crescimento econômico. Os números falam por si: bilhões em investimentos previstos, milhares de empregos gerados e uma diversificação cada vez maior da oferta turística no estado mais populoso do Brasil.