Moradores da maior favela sobre palafitas do Brasil ganharam um recomeço nesta quinta-feira (30) com a entrega de 60 moradias do projeto-piloto Parque Palafitas. Localizado na Vila Gilda, comunidade em Santos, a iniciativa traz uma nova forma de ocupação da área de mangue sem que as famílias saiam de lá. O projeto une o bem-estar dos moradores com recuperação ambiental do espaço e foi reconhecido internacionalmente.
A técnica usada no Parque Palafitas é um dos destaques: em vez de apoiar as moradias diretamente no solo, as unidades foram construídas sobre plataformas de concreto sustentadas por estacas colocadas a até 35 metros de profundidade. O método é semelhante ao empregado na construção de terminais portuários, garantindo estabilidade em solo instável e lodoso, característico dos mangues.
O projeto vai além de um conjunto habitacional. Junto às 60 casas, os moradores da Vila Gilda contarão com saneamento básico, iluminação pública, espaços de lazer e comércio, além de equipamentos públicos, como parques. Assim, há manutenção dos vínculos com a vizinhança e a proximidade ao trabalho e serviços públicos.
As unidades habitacionais são resultado de parceria do Governo de São Paulo, que repassou R$ 27,4 milhões via Secretaria de Governo e Relações Institucionais. A Prefeitura de Santos ficou responsável pelas obras, iniciadas em 2024, e o governo federal cedeu a área. O plano foi elaborado pelo escritório do urbanista e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner (1937-2021).
O Parque Palafitas tem composição diversa: 16 casas térreas geminadas, 4 edifícios residenciais, 2 blocos comerciais, 1 deck flutuante, 1 imóvel para associação de moradores e uma área técnica para instalações elétricas e hidráulicas. A área antes era vulnerável ao avanço da maré, acúmulo de lixo e lançamento irregular de esgoto.
A experiência já foi apresentada internacionalmente: em 2024, no Smart City Expo World Congress, em Barcelona (Espanha), e em 2022, na 14ª Conferência Anual da Rede de Cidades Criativas da Unesco, realizada em Santos. Após o piloto, a ideia é expandir o modelo para outras regiões, inclusive da própria Baixada Santista.
O Governo de São Paulo assinou convênio de R$ 77 milhões com a Prefeitura de Santos e a Cohab de Santos para construir mais 350 unidades habitacionais no Dique da Vila Gilda. A ampliação prevê 176 moradias em uma área e 174 em outra, com prazo de execução de até 24 meses.

