O jornalista e escritor mineiro Humberto Werneck, há décadas radicado em São Paulo, garante que existe um parentesco entre a canção popular e a literatura brasileira. Para ele, o samba e a crônica "são irmãos", uma relação que será tema do programa Roda de Samba deste domingo (16) ao meio-dia, na Rádio Nacional.

"Tanto compositores populares como cronistas de texto são dois bichos apaixonados pela observação da vida, pela observação do cotidiano", compara Werneck, autor do livro Viagem no país da crônica, lançado este ano pela editora Tinta da China, onde resenha a produção de grandes cronistas como Clarice Lispector, Fernando Sabino e Rubem Braga.

O escritor defende que ambos os gêneros têm a rua como matéria-prima. "A crônica, alguém já disse, é um gênero a pé. Eu aplicaria isso também à música popular", explica. Segundo ele, compositores e cronistas "são capazes de apanhar uma aparente insignificância, às vezes, e transformar e revelar o que tem ali de perene, de duradouro".

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Não é por acaso que o Brasil tem uma tradição de artistas que transitam entre as duas áreas. Há compositores que também são cronistas, como Aldir Blanc, Antonio Maria e Vinicius de Moraes; cronistas que são músicos, caso do baterista Fernando Sabino e do saxofonista Luiz Fernando Veríssimo; e compositores chamados de cronistas, como Ary Barroso, Geraldo Pereira, Noel Rosa e Wilson Baptista.

Iniciado em 2019, o Roda de Samba já recebeu outros escritores como Alberto Mussa, Manoel Herzog, Paulo Lins e Ruy Castro, além de ter levado ao ar as últimas entrevistas de ícones como Monarco, João Donato e o crítico musical Zuza Homem de Melo.

O programa vai ao ar todo domingo ao meio-dia nas 11 emissoras da Rádio Nacional, incluindo Brasília (AM 980 KHz e FM 96,1 MHz), Rio de Janeiro (AM 1.130 KHz e FM 87,1 MHz), São Paulo (FM 87,1 MHz) e outras capitais, sendo posteriormente distribuído na Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). O acervo completo está disponível para audição no site da emissora.