Os números da segurança pública no centro de São Paulo apresentam uma virada significativa em 2024. Dados da Secretaria da Segurança Pública revelam que os roubos de veículos na área da 1ª Delegacia Seccional caíram 26,2% nos primeiros onze meses do ano, registrando 166 casos contra 225 no mesmo período do ano anterior. Em novembro, a queda foi ainda mais expressiva, com nove casos a menos e apenas dez ocorrências registradas no mês.
O que torna esses números ainda mais relevantes é que eles representam os menores índices já registrados na série histórica, que começou a ser contabilizada em 2001. Para especialistas e autoridades, essa redução não é um fato isolado, mas parte de uma transformação mais ampla na segurança da região central da capital paulista.
Os roubos em geral também apresentaram queda expressiva de 19,3% no acumulado do ano, passando de 16.631 para 13.406 ocorrências na região central. Considerando apenas o mês de novembro, a redução foi de 16,2%, com os registros caindo de 1.261 para 1.056 casos.
Um fator determinante para essa mudança, segundo as autoridades, foi o fim da chamada Cracolândia após 30 anos de existência. Na área dos 3º e 77º Distritos Policiais, responsáveis pela antiga região das Cenas Abertas de Uso, foram registrados 13.650 roubos e furtos, representando uma queda de 3,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 14.205 boletins.
O delegado titular da 1ª Seccional, Carlos Eduardo Duarte de Carvalho, explica que "isso só foi possível com um incessante trabalho integrado das forças de segurança, já que os delitos eram reflexo de uma situação em que furtos e roubos serviam para alimentar o vício daqueles que frequentavam a região".
Segundo o delegado, as ações foram realizadas com o objetivo de sufocar o tráfico de entorpecentes, com investigações voltadas a descobrir e apreender a droga antes mesmo da chegada à região das cenas abertas de uso. Além disso, houve aumento do policiamento ostensivo em todo o centro, com operações constantes que contribuíram para as quedas nos principais indicadores criminais.
Os números comprovam a eficácia da estratégia: com as ações realizadas desde o início da gestão até novembro deste ano, foram registradas 19.775 vítimas a menos de roubos e furtos na região e 39.532 em todo o centro.
O trabalho das forças de segurança também se reflete em outros indicadores positivos. Nos primeiros 11 meses do ano, as Polícias Civil e Militar prenderam ou apreenderam 7.008 infratores no centro da capital paulista, representando aumento de 6,4% em relação a 2024, quando foram registradas 6.585 prisões e apreensões.
Além das prisões, as forças de segurança conseguiram retirar de circulação 1,3 tonelada de drogas, apreender 170 armas irregulares e recuperar 684 veículos roubados ou furtados. Esses números demonstram uma atuação mais efetiva não apenas na repressão, mas também na prevenção e recuperação de bens.
Para os moradores e comerciantes da região central de São Paulo, esses dados representam mais do que estatísticas - significam uma mudança concreta na qualidade de vida e na sensação de segurança. Após décadas convivendo com altos índices de criminalidade associados ao tráfico e uso de drogas na região, a transformação começa a mostrar resultados tangíveis que impactam diretamente o dia a dia de quem circula pelo centro da maior cidade do país.

