Os roubos de celulares na capital paulista registraram uma queda expressiva de 20% no primeiro bimestre deste ano, marcando um avanço significativo no combate a esse tipo de crime. Foram 8.430 ocorrências entre janeiro e fevereiro, contra 10.587 no mesmo período do ano anterior. Essa redução significa que 2.157 pessoas deixaram de ser vítimas de roubo de aparelhos no início do ano na região metropolitana de São Paulo.

Os números divulgados pela Secretaria da Segurança Pública mostram que somente em fevereiro a queda foi de 18,8%, passando de 5.172 para 4.202 ocorrências. Esse resultado faz parte de um contexto mais amplo de redução de roubos em geral no estado, que atingiu o menor número de casos em um bimestre nos últimos 26 anos.

O governo de São Paulo atribui essa melhora ao reforço nas ações preventivas e ao trabalho de desarticulação de quadrilhas especializadas na receptação de celulares. Entre as medidas implementadas está o aumento do policiamento nas regiões com maior incidência de roubos, utilizando viaturas, equipes em bicicletas e policiais a pé nas áreas mais visadas pelos criminosos.

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A Polícia Civil também tem realizado operações integradas para identificar e prender líderes de organizações criminosas envolvidas nesses crimes, que abastecem o mercado ilegal de aparelhos roubados e furtados. Essas ações buscam atacar o problema em sua origem, dificultando a comercialização dos produtos subtraídos.

SP Mobile: tecnologia a serviço da segurança

Um dos pilares dessa estratégia é o programa SP Mobile, criado em 2025 pela Secretaria da Segurança Pública. Através dessa iniciativa, é possível rastrear e cruzar informações para identificar aparelhos roubados que voltam a ser ativados por terceiros. A ferramenta tem se mostrado fundamental nas investigações e na repressão ao comércio ilegal de celulares.

"O uso de tecnologia e inteligência policial tem permitido identificar celulares com restrição criminal, responsabilizar os envolvidos na receptação e devolver os aparelhos às vítimas, enfraquecendo toda a cadeia criminosa", explicou o delegado Rodolfo Latif Sebba, coordenador do SP Mobile.

Desde sua criação, o programa já recuperou mais de 21,7 mil celulares em todo o estado de São Paulo através de comparecimentos, buscas e ações policiais contra estabelecimentos envolvidos na receptação, venda e comercialização de aparelhos de origem criminosa. Desse total, 7,1 mil já foram devolvidos aos seus legítimos donos.

Como funciona a devolução dos aparelhos

O processo de identificação e recuperação começa com o cruzamento de informações dos boletins de ocorrência com dados fornecidos pelas operadoras de telefonia. Quando um celular com queixa criminal é detectado, a Polícia Civil envia notificações aos usuários para que compareçam à delegacia e comprovem a legalidade do aparelho ou façam a entrega voluntária.

No início de março, mais de 3,2 mil avisos foram disparados para os celulares identificados pelo programa. Caso as pessoas notificadas não atendam à intimação, podem responder pelo crime de receptação, dependendo das circunstâncias de cada caso.

O delegado Rodolfo reforça a importância do registro adequado da ocorrência: "É de extrema importância que a vítima registre um boletim de ocorrência informando o número de identificação do celular. Só assim temos a possibilidade de uma eventual recuperação e restituição do aparelho".

A combinação de ações policiais tradicionais com o uso de tecnologia tem mostrado resultados concretos na redução dos roubos de celulares em São Paulo. Além dos números positivos, o trabalho tem impactado diretamente a vida das vítimas, que recuperam não apenas seus aparelhos, mas também dados pessoais, fotos e informações importantes armazenadas nos dispositivos.