O Governo de São Paulo marcou um capítulo importante na história da infraestrutura paulista nesta segunda-feira (22) com a entrega do primeiro trecho do Rodoanel Mário Covas Norte. Após seis anos de paralisação total, as obras foram retomadas em abril de 2024 pela gestão do governador Tarcísio de Freitas e concluídas seis meses antes do previsto. A partir desta terça-feira (23), os 24 quilômetros entre as rodovias Presidente Dutra (km 129) e Fernão Dias (km 153) estarão abertos ao tráfego.
"Amanhã este trecho vai estar aberto e muitos vão usar essa ligação. O Rodoanel começa a ser concluído quase 30 anos depois de sua concepção. Serão 10 mil caminhões a menos na marginal. Isso significa mais tempo do motorista em casa com a família, menos tempo no trânsito", afirmou o governador durante a cerimônia de entrega. Tarcísio destacou ainda o simbolismo da obra: "Foram muitos anos de espera, muitas promessas, mas isso não resolvia o problema de ninguém. As pessoas estavam tomadas pela descrença, achavam que não seria possível concluir essa obra. Mas não adianta viver de promessa, temos que viver de resultado."
O trecho inaugurado representa um alívio imediato para o trânsito da região metropolitana de São Paulo. Com três faixas de rolamento, quatro túneis que somam dois quilômetros de extensão, e diversas obras de arte especiais como pontes e viadutos, a expectativa é que cerca de 40 mil veículos utilizem diariamente a nova via. Desse total, mais da metade serão caminhões e carretas que deixarão de circular pelas marginais Tietê e Pinheiros.
A infraestrutura vai além do asfalto. O trecho conta com uma Base do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) no km 135, equipada com estacionamento, banheiros, água potável e área de descanso. Também haverá um Centro de Controle de Operações (CCO) no km 156 e uma base da Polícia Militar Rodoviária para garantir a segurança. Em uma iniciativa de preservação ambiental, foram construídas quatro passagens subterrâneas de fauna com monitoramento, reduzindo os riscos de atropelamento de animais silvestres.
A tecnologia é outro destaque da obra. A rodovia terá 32 câmeras (inclusive nos túneis), cinco painéis de mensagens e cobertura 4G em todo o percurso, garantindo sinal de celular mesmo nas áreas mais críticas. O sistema de cobrança será feito através do Siga Fácil, com pórticos eletrônicos que identificam veículos por placas ou tags, eliminando as tradicionais praças de pedágio. Usuários de tag terão 5% de desconto na tarifa.
"Estamos aqui para mostrar que é possível entregar obras estruturantes que estavam paradas. Uma obra com IA monitorando a rodovia, 4G em todo o trajeto, um SAU com guincho, ambulância, banheiros", explicou Diego Allan Vieira Domingues, secretário em exercício de Parcerias em Investimentos (SPI). "Esse é o papel da nossa secretaria: entregar uma obra que vai dar mais qualidade de vida ao usuário."
O Rodoanel Norte faz parte do programa SP pra Toda Obra, que prevê melhorias em 21,2 mil quilômetros de rodovias paulistas com um investimento recorde de R$ 30,5 bilhões. Este trecho específico teve investimento total de aproximadamente R$ 3,4 bilhões, sendo R$ 1,35 bilhão aportado pelo Estado e R$ 2 bilhões pela concessionária Via SP Serra, do Grupo Via Appia. Durante a execução das obras, foram gerados 10 mil empregos diretos e indiretos.
Com a entrega deste primeiro segmento, as atenções agora se voltam para o trecho 2, que seguirá até a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na capital, com previsão de conclusão para o segundo semestre de 2026. Quando totalmente concluído, o Rodoanel Norte terá 44 quilômetros de extensão, passando por São Paulo, Guarulhos e Arujá.
"Vamos tirar 10 mil veículos pesados das marginais e em breve, no ano que vem, vamos completar o Rodoanel. Essa obra não para e outras obras virão", afirmou André Isper Rodrigues Barnabé, diretor-presidente da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), órgão responsável pela fiscalização do projeto.
Após quase três décadas desde sua concepção e seis anos de completo abandono, o Rodoanel Mário Covas começa finalmente a se tornar realidade, prometendo transformar a mobilidade na maior região metropolitana do país e devolvendo aos paulistas a confiança em que obras estruturais podem, sim, sair do papel.

