O Rio Grande do Sul acordou em estado de emergência climática nesta terça-feira (9), com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitindo um alerta vermelho de grande perigo para todo o estado. A situação crítica é resultado da chegada de um ciclone extratropical associado a uma frente fria, que também coloca Paraná e Santa Catarina em alerta laranja, indicando perigo.

De acordo com o Inmet, até o final do dia o Rio Grande do Sul pode enfrentar temporais intensos, granizo e rajadas de vento. O ciclone traz consigo uma grande quantidade de chuva, com previsão de acumulados que podem ultrapassar os 100 milímetros até a noite. As autoridades alertam para altas chances de alagamentos, queda de energia elétrica e de árvores, colocando a população em risco.

O alerta vermelho vale para as regiões serranas do estado, além das áreas Sul, Norte e Central, incluindo a região metropolitana de Porto Alegre. Toda a costa gaúcha também está sob ameaça. O aviso permanece vigente até as 23h59 desta terça-feira, conforme comunicado do Inmet.

Publicidade
Publicidade

Enquanto isso, Paraná e Santa Catarina enfrentam um alerta laranja, com as regiões central, sul e leste dos dois estados, assim como seus litorais, sendo afetados pelo mesmo sistema meteorológico. A situação exige atenção redobrada dos moradores e das defesas civis locais.

Os estragos já começaram a aparecer. Na cidade de Flores da Cunha, distante 145 quilômetros de Porto Alegre, a passagem do ciclone extratropical na noite de segunda-feira (8) causou destruição significativa. A região do Travessão Alfredo Chaves, no interior do município, foi uma das mais atingidas. A prefeitura local confirmou que não houve feridos, mas os danos materiais são extensos.

Segundo relatos da administração municipal, a quadra da comunidade sofreu muitos danos, assim como o telhado da Capela São João Batista. Três vinícolas e outros estabelecimentos comerciais registraram problemas estruturais. O centro da cidade também foi afetado, com cerca de 60 casas atingidas e mais de 5 mil pessoas ficando sem energia elétrica. No total, aproximadamente 2 mil moradores foram impactados de alguma forma.

Além disso, houve avarias em estufas, vinte parreiras foram derrubadas e ocorreram danos no refeitório de uma escola e num hospital municipal. Na manhã desta terça, equipes das secretarias de Agricultura e de Obras já atuavam na desobstrução de estradas, mas felizmente não há pontos de bloqueio na cidade no momento. As aulas na rede municipal foram mantidas normalmente.

A Defesa Civil reforça que o alerta meteorológico ainda está vigente e pede que a população fique atenta às orientações. Em meio a essa crise, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou uma pesquisa para medir o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul, buscando dados que possam auxiliar no planejamento de respostas futuras a eventos climáticos extremos.