INTRODUÇÃO
O cenário de hardware para inteligência artificial ganha um novo protagonista com ambições ousadas. A Ricursive Intelligence, startup fundada por ex-pesquisadores do Google, anunciou nesta segunda-feira uma rodada de investimento de US$ 300 milhões, elevando sua avaliação para US$ 4 bilhões. A empresa desenvolve um sistema de IA capaz de projetar e aprimorar automaticamente chips de IA, um conceito que promete acelerar drasticamente a inovação no setor.
DESENVOLVIMENTO
Liderada pela Lightspeed, a Série A da Ricursive chega apenas dois meses após o lançamento formal da empresa, que já havia captado um investimento inicial liderado pela Sequoia. No total, a startup acumula US$ 335 milhões em financiamento. Os fundadores, CEO Anna Goldie e CTO Azalia Mirhoseini, basearam a tecnologia em seu trabalho anterior no Google, onde desenvolveram o método AlphaChip – uma abordagem de aprendizado por reforço para otimizar layouts de chips que já foi aplicada em quatro gerações dos chips TPU da gigante das buscas.
O sistema da Ricursive promete não apenas criar sua própria camada de substrato de silício, mas também iterar continuamente sobre os designs, acelerando o ciclo de melhorias. "Lave e repita para chegar à AGI", afirmam os fundadores, referindo-se à inteligência artificial geral. O ecossistema de investidores inclui nomes de peso como DST Global, NVentures (braço de venture capital da Nvidia), Felicis Ventures, 49 Palms Ventures e Radical AI.
É importante não confundir a Ricursive com a startup de nome similar Recursive, fundada pelo renomado pesquisador de redes neurais Richard Socher, que também busca levantar uma rodada gigante com avaliação de US$ 4 bilhões e trabalha em sistemas de IA que se autoaprimoram. Além dessas, outras empresas emergentes, como a Unconventional AI de Naveen Rao, estão explorando conceitos de substrato inteligente, indicando uma tendência crescente no mercado.
CONCLUSÃO
A corrida por hardware de IA mais eficiente e autônomo está aquecida, com startups como a Ricursive Intelligence liderando investimentos vultosos em uma abordagem radical: usar a própria inteligência artificial para criar e evoluir os chips que a executam. Se bem-sucedida, essa estratégia recursiva poderá reduzir significativamente os ciclos de desenvolvimento e impulsionar avanços em direção a sistemas de IA mais capazes e generalistas, redefinindo as fronteiras da computação no processo.

