A onda de protestos que tomou conta do Irã nas últimas semanas parece ter sido contida, pelo menos por enquanto, por uma forte repressão das forças de segurança do país. De acordo com relatos de grupos de direitos humanos e moradores locais, a capital Teerã e outras cidades estão calmas desde o último domingo, após uma série de prisões e uma presença militar massiva nas ruas.
A mídia estatal iraniana relatou novas prisões nesta sexta-feira (16), em um momento de tensão crescente com os Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, havia ameaçado repetidamente com ação militar em apoio aos manifestantes, mas os temores de um ataque iminente recuaram na quarta-feira (14), quando ele afirmou ter sido informado de que as mortes na repressão estavam diminuindo.
A Casa Branca emitiu um comunicado na quinta-feira (15) dizendo que Trump está monitorando a situação de perto e que alertou Teerã sobre "graves consequências" se as mortes ligadas à repressão continuassem. A porta-voz Karoline Leavitt acrescentou que o presidente entende que 800 execuções programadas foram interrompidas e que mantém "todas as suas opções sobre a mesa".
Os protestos começaram em 28 de dezembro, inicialmente motivados pelo aumento da inflação e pela crise econômica agravada pelas sanções internacionais, mas rapidamente se transformaram em um dos maiores desafios ao establishment clerical que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Com um apagão na internet que dificulta o fluxo de informações, moradores de Teerã relataram que a capital está tranquila e que drones sobrevoam a cidade. Eles afirmam não ter visto nenhum sinal de protesto na quinta ou sexta-feira. "O ambiente de segurança continua altamente restritivo", disse o grupo de direitos curdo-iraniano Hengaw, com sede na Noruega, em comentários à Reuters.
O grupo afirmou ainda que não houve nenhuma reunião de protesto desde domingo e que há uma forte presença militar e de segurança em cidades e vilas onde os protestos ocorreram anteriormente, bem como em locais que não sofreram grandes manifestações. Um morador de uma cidade do norte, no Mar Cáspio, confirmou que as ruas também pareciam calmas.
Enquanto isso, os aliados dos Estados Unidos na região, incluindo Arábia Saudita e Catar, conduziram uma intensa diplomacia com Washington nesta semana para evitar um ataque, alertando sobre as consequências desestabilizadoras para o Oriente Médio que, em última análise, afetariam os próprios EUA, segundo uma autoridade do Golfo.
Apesar da aparente calmaria nas ruas, a situação permanece volátil. As ameaças de Trump, embora amenizadas nos últimos dias, deixaram claro que a possibilidade de intervenção norte-americana não está totalmente descartada. Para os iranianos, o medo e a repressão seguem como realidade, enquanto o mundo observa atento os desdobramentos de mais um capítulo turbulento na relação entre Teerã e Washington.

