Um projeto ambicioso de universalização do saneamento básico na região de Campinas foi apresentado nesta sexta-feira (6) em Paulínia, no interior de São Paulo, com investimentos previstos de R$ 5,4 bilhões até 2029. O plano abrange 11 municípios e tem como meta garantir que 100% da população tenha acesso a água tratada e coleta de esgoto dentro dos próximos cinco anos.
Durante o evento, autoridades detalharam os avanços já conquistados e os desafios que ainda precisam ser superados. Desde a desestatização da Sabesp, mais de R$ 870,5 milhões já foram aplicados em obras e melhorias nos sistemas de saneamento da região. O período entre 2026 e 2029 é considerado crucial, pois é o prazo estabelecido para que a companhia atinja a universalização completa dos serviços nos municípios atendidos.
Os números mostram que os investimentos já começam a dar resultados concretos. Mais de 100 mil pessoas passaram a contar com abastecimento de água regular na região, enquanto outras 220 mil foram incluídas no sistema de coleta e tratamento de esgoto. O crescimento no acesso aos serviços básicos tem impacto direto na qualidade de vida da população, reduzindo doenças de veiculação hídrica e melhorando as condições ambientais.
Outro destaque apresentado foi o crescimento expressivo da Tarifa Social Paulista, programa que oferece descontos de até 78% nas contas de água para famílias em situação de vulnerabilidade. Desde a desestatização da Sabesp, mais de 61 mil famílias foram incluídas no benefício - um aumento de 321% que elevou para 88,7 mil o total de famílias atendidas pelo programa na região.
O evento contou com a presença da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, e da secretária-executiva do Conselho Deliberativo da Unidade Regional de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário (Urae 1), Roberta Buendia. Também estiveram presentes representantes das prefeituras dos 11 municípios beneficiados: Águas de São Pedro, Campo Limpo Paulista, Charqueada, Elias Fausto, Hortolândia, Mombuca, Monte Mor, Paulínia, Saltinho, Santa Maria da Serra e Várzea Paulista.
Em sua fala, Natália Resende destacou a importância da participação local no processo: "Esta é uma oportunidade de olharmos de perto o que cada território precisa e construirmos soluções em conjunto. Os moradores conhecem melhor do que ninguém as necessidades do município e queremos estar próximos para que esse trabalho dê certo. Estamos avançando com investimentos estruturantes para garantir mais eficiência no abastecimento de água e mais qualidade de vida para a população".
A URAE 1 Sudeste, unidade regional responsável pelo acompanhamento e fiscalização do contrato de concessão da Sabesp, trabalha em conjunto com a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) para garantir que os investimentos sejam aplicados conforme o planejado e que os serviços atendam aos padrões de qualidade exigidos.
Após a apresentação do projeto, a secretária Natália Resende realizou uma visita técnica às obras do Sistema Paiva Castro, que vai reforçar o abastecimento de água para Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista. O empreendimento, com investimento superior a R$ 170 milhões, prevê a captação de água na Represa Paiva Castro, em Franco da Rocha, e seu transporte até a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Campo Limpo Paulista.
O projeto inclui a implantação de mais de 25 quilômetros de adutoras que passarão por Campo Limpo Paulista, Francisco Morato e Franco da Rocha, além da construção de uma estação elevatória de água bruta com capacidade de até 400 litros por segundo. "A ampliação do sistema a partir da Represa Paiva Castro é fundamental para garantir mais segurança no abastecimento dessas cidades. Estamos falando de uma obra estruturante, que aumenta a oferta de água, reduz a vulnerabilidade em períodos de estiagem e traz mais tranquilidade para milhares de famílias que dependem desse sistema todos os dias", explicou Natália durante a vistoria.
A conclusão das obras do Sistema Paiva Castro está prevista para janeiro de 2027. Quando finalizado, o sistema deve beneficiar mais de 200 mil moradores, reduzir a dependência do Rio Jundiaí em períodos de estiagem e ampliar significativamente a disponibilidade de água para tratamento na região.
Os investimentos em saneamento básico na região de Campinas fazem parte de um esforço mais amplo do governo do estado para universalizar o acesso a água tratada e coleta de esgoto em todo o território paulista. Os R$ 5,4 bilhões previstos para os próximos anos representam um dos maiores pacotes de investimentos em infraestrutura sanitária da região, com potencial para transformar radicalmente a realidade de centenas de milhares de pessoas que ainda não contam com esses serviços essenciais.

