Centenas de manifestantes tomaram as ruas de Milão na sexta-feira (6), véspera da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, para expressar sua oposição à presença de agentes de imigração dos Estados Unidos na Itália. Com apitos de plástico, sinalizadores e faixas, o ato ganhou força a partir da notícia de que representantes da Imigração e Alfândega (ICE) estariam no país para proteger cidadãos norte-americanos durante o evento esportivo.
O ICE, agência que atua na linha de frente da política de deportações do ex-presidente Donald Trump, tornou-se o alvo central dos protestos. Cartazes com frases como "ICE FORA" e "ICE deveria estar nas minhas bebidas, não na minha cidade" foram empunhados por manifestantes, muitos deles liderados por estudantes. Os apitos de plástico, que se tornaram um símbolo dos protestos anti-ICE nos Estados Unidos, ecoaram pelas ruas da cidade italiana.
Katie Legare, uma manifestante de Minnesota que atualmente estuda na Europa, explicou sua participação: "Achei que essa era uma boa oportunidade para mostrar que o resto do mundo não concorda com o que está acontecendo em Minnesota", disse, em referência ao assassinato de dois cidadãos norte-americanos por agentes do ICE em sua cidade natal. "Não é certo simplesmente aceitar e seguir com o status quo. É preciso dizer que algo errado está acontecendo e se manifestar."
Além da rejeição ao ICE, os manifestantes também pediram que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, "voltassem para casa". O protesto ampliou suas críticas para incluir questões locais e internacionais. Muitos afirmaram que as Olimpíadas representam um desperdício de dinheiro e recursos em um momento em que os preços das moradias estão inacessíveis e os espaços públicos são escassos em Milão. Alguns participantes ainda entoaram slogans criticando Israel e expressando apoio aos palestinos.
As autoridades italianas e norte-americanas, no entanto, negaram a presença operacional do ICE nas ruas durante os Jogos. O governo italiano afirmou que a controvérsia é infundada, esclarecendo que apenas agentes da Investigação de Segurança Interna na Itália trabalham nas missões diplomáticas dos EUA. O Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos também emitiu uma nota dizendo que nenhum agente do ICE estava fornecendo segurança direta para a equipe norte-americana.
Paralelamente aos protestos, a preparação para a cerimônia de abertura, marcada para a noite de sexta-feira, levou as autoridades a adotarem medidas de segurança e controle de tráfego. Escolas no centro de Milão permaneceram fechadas, e o acesso a algumas áreas foi bloqueado para minimizar transtornos e reforçar a proteção durante o evento.
O protesto em Milão se soma a outros atos ocorridos durante o período olímpico, como a ação do Greenpeace contra empresas poluidoras. Enquanto o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anunciava os 14 atletas convocados para representar o país nos Jogos de Inverno, as ruas da cidade italiana mostravam que o clima de celebração esportiva é também palco de debates políticos e sociais intensos.

