No coração do Parque Estadual do Palmito, em Paranaguá, uma pequena casa de 35 metros quadrados se tornou um ponto estratégico para o socorro da fauna silvestre do litoral paranaense. O Pronto Atendimento a Animais Silvestres (PAAS) do Litoral, gerido pelo Instituto Água e Terra (IAT), é a primeira resposta para animais vitimados na região costeira, realizando resgate, estabilização e atendimento clínico inicial.
O trabalho ganha intensidade especial durante o verão, quando o fluxo de turistas nos balneários aumenta e, consequentemente, sobem os incidentes envolvendo animais silvestres. A equipe fixa, que conta com até quatro pessoas, mais que dobra em alguns momentos do fim e início de ano, incluindo o período do Carnaval. "O verão é o período em que o nosso setor de fauna fica mais ativo. Por causa da grande quantidade de pessoas que vão para o litoral, o número de incidentes com a fauna silvestre também sobe drasticamente – geralmente, cerca de 40% dos atendimentos que fazemos no ano todo acontecem na temporada. Por isso, a nossa equipe recebe um reforço de servidores vindos de outros escritórios do Instituto para ajudar a atender a esse aumento nas ocorrências", explica o coordenador de Fauna do Litoral do IAT, Rafael Galvão.
Além do reforço humano, a estrutura física do PAAS passou por uma revitalização completa no último ano, com um investimento de R$ 150 mil proveniente de condicionantes de licenciamento ambiental. As melhorias incluíram pintura e ajustes operacionais nas salas de atendimento, garantindo melhores condições de higiene, manejo e bem-estar animal. "As melhorias reforçam o compromisso institucional do Governo do Estado com a excelência na prestação do serviço público e na proteção da biodiversidade. Apesar de o PAAS oferecer principalmente um atendimento mais pontual e estadias temporárias para a fauna vitimada, a estrutura acaba beneficiando o trabalho de instituições mais especializadas, como hospitais veterinários e Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), que frequentemente sofrem com uma superlotação crônica", destaca Galvão.
O coordenador acrescenta que o trabalho do PAAS ajuda a reduzir a pressão sobre esses espaços, "evitando internações prolongadas e garantindo que recursos sejam direcionados a animais que de fato necessitam de cuidados complexos". Implementado em 2022, o PAAS Litoral funciona no antigo depósito de um laboratório da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e é mantido com um investimento anual aproximado de R$ 20 mil.
Os números mostram a importância do serviço. Em 2024, o PAAS atendeu 654 animais de 144 espécies diferentes, um aumento de 14,3% em relação aos 572 registros de 2023. A maior parte (54%) veio de ações de resgate, seguida por apreensões (11%) e entregas voluntárias (10%). Após o atendimento, os animais são encaminhados para diferentes destinos: podem retornar à natureza, ir para reabilitação em empreendimentos especializados ou para criadouros autorizados.
Em relação aos tipos de animais, as aves lideram o ranking, com 398 indivíduos (60% do total), incluindo espécies emblemáticas como o papagaio-da-cara-roxa e a gralha-azul. Em seguida vêm 157 mamíferos (24%), como a lontra e o tamanduá-mirim, e 96 répteis (14%), como a jiboia e a tartaruga-verde. "O crescimento constante do número de atendimentos, associado ao aumento da diversidade de espécies, evidencia que o Estado do Paraná vem atuando com eficiência, técnica e responsabilidade na proteção da fauna. O PAAS evolui como ferramenta essencial de gestão pública ambiental, garantindo respostas mais rápidas, qualificadas e integradas ao manejo da biodiversidade", avalia Galvão.
Olhando para o futuro, o IAT trabalha na estruturação do Projeto do CETAS Litoral, que pretende implantar um Centro de Triagem de Animais Silvestres na região costeira. A futura unidade terá como objetivo realizar a triagem, avaliação, reabilitação e destinação adequada de animais silvestres, em articulação direta com o PAAS Litoral. A implantação do CETAS Litoral será um marco para a conservação, pois reduzirá a necessidade de longos deslocamentos dos animais até centros em outras regiões do Estado, diminuindo o estresse e aumentando as chances de sucesso na reabilitação e soltura.
Para quem está no litoral paranaense e avistar algum animal silvestre machucado ou vítima de maus-tratos, tráfico ilegal ou cativeiro irregular, o contato pode ser feito com a regional do IAT de Paranaguá pelos telefones: Fauna Litoral - WhatsApp (41) 97401-6701 e Escritório Regional do IAT no Litoral - WhatsApp (41) 9 9554-2406.

