O Projeto Rondon está em plena atividade no interior do Paraná. O lançamento oficial da operação de 2025 ocorreu na última sexta-feira (23) e, desde então, as equipes de universitários – os chamados rondonistas – têm desenvolvido uma série de atividades práticas e palestras em municípios paranaenses, fortalecendo o diálogo entre a universidade e a comunidade.
Em Jardim Alegre, rondonistas da IAU USP realizaram a oficina “Pacote Office e Inteligência Artificial”, voltada aos eixos de educação e trabalho. A atividade capacitou participantes para o uso de ferramentas digitais e novas tecnologias aplicadas ao cotidiano profissional, demonstrando como a inovação pode ser acessível e útil no dia a dia.
Já em Grandes Rios, rondonistas da UFAM conduziram a oficina de “Comunicação Não Violenta” para servidores do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). O foco foi em práticas de diálogo, escuta ativa e resolução de conflitos, visando aprimorar o atendimento à população e fortalecer os eixos de educação e trabalho no município.
No campo da saúde mental, o município de Iretama recebeu a oficina “Saúde Mental: Cuidando de Quem Cuida”, voltada a agentes sociais e estagiários do CREAS. A atividade, realizada na Casa da Cultura e conduzida pela Unioeste, destacou a importância do cuidado com os profissionais que atuam diretamente na rede de assistência social, promovendo bem-estar e prevenção de desgaste.
Em Barbosa Ferraz, a área da cultura foi o centro das atenções com a oficina “Cultura que Transforma – Captação de Recursos no Paraná”, ministrada pela UNITAU. Os participantes receberam orientações sobre financiamento cultural e estratégias para fortalecer iniciativas locais, mostrando como a cultura pode ser um motor de desenvolvimento comunitário.
A programação segue intensa ao longo dos próximos dias, com oficinas, ações comunitárias e atividades em campo. O objetivo é ampliar o intercâmbio de saberes e reforçar o compromisso com o desenvolvimento social nos municípios participantes.
O Projeto Rondon surgiu em 1967 com a missão de levar a juventude universitária a conhecer a realidade brasileira e participar ativamente do processo de desenvolvimento nacional. Relançado em 2004, o projeto é coordenado pelo Ministério da Defesa e conta com o apoio dos governos estaduais, municipais e das Forças Armadas, principalmente na preparação, logística, comando, controle e segurança das operações.
Ao longo de sua trajetória, o projeto já mobilizou mais de 26 mil rondonistas e beneficiou mais de 2 milhões de pessoas em 1.404 municípios brasileiros, contribuindo significativamente para o fortalecimento da cidadania e a redução das desigualdades regionais.
No Paraná, a operação atual é a 99ª edição do projeto e recebe o nome de Operação “Pé Vermelho”. Nesta edição, participam 252 rondonistas – entre universitários e professores – de 25 instituições de ensino superior, com apoio do 30º Batalhão de Infantaria Mecanizado. As atividades ocorrem em doze municípios da região: Araruna, Barbosa Ferraz, Bom Sucesso, Godoy Moreira, Grandes Rios, Iretama, Jardim Alegre, Lidianópolis, Luiziana, Rio Branco do Ivaí, Rosário do Ivaí e Santa Fé, alcançando direta e indiretamente cerca de 98,6 mil habitantes.
Dentre as instituições participantes, três universidades mantidas pelo Governo do Estado do Paraná desempenham um papel central. A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) atua em Godoy Moreira, promovendo capacitação em informática e inteligência artificial para jovens, além de workshops sobre sustentabilidade, turismo comunitário e prevenção de desastres naturais.
A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) conta com duas equipes em cidades distintas. Em Iretama, a equipe do câmpus de Cascavel conduz ações voltadas à saúde mental, combate à violência e proteção dos direitos de crianças e idosos. Em Santa Fé, a equipe do câmpus de Marechal Cândido Rondon foca em temas como saúde integral da mulher, prevenção ao abuso infantil e o uso sustentável de plantas medicinais.
A Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), com uma equipe de rondonistas do câmpus de Bandeirantes, no Norte Pioneiro, concentra as atividades em Luiziana. Serão realizadas oficinas de canteiros de hortas ecológicas, produção alimentar segura, artesanato sustentável e capacitação em mídias sociais e tecnologias emergentes, como inteligência artificial e realidade virtual.
O Projeto Rondon continua sendo uma ponte vital entre o conhecimento acadêmico e as necessidades reais das comunidades, demonstrando que a educação superior pode – e deve – ser um agente transformador em todas as regiões do Brasil.

