No coração do Centro-Oeste paranaense, na comunidade rural de São Domingos, a 14 quilômetros da sede de Janiópolis, uma história de superação e empreendedorismo familiar ganha novos capítulos graças a uma política pública estadual. Maria de Fátima Nascimento dos Santos e Celino Lino da Silva, após enfrentarem desafios de saúde e renda, viram seus sonhos se concretizarem com o apoio do projeto Renda Agricultor Familiar, executado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná).

A jornada começou quando Maria de Fátima encontrou na panificação uma alternativa para aumentar a renda da família. Produzindo pães e bolachas artesanais no sítio, ela rapidamente conquistou espaço no mercado local, vendendo para particulares, no comércio da cidade e na feira do produtor. Porém, as limitações de equipamentos impediam o crescimento do negócio. "O meu sonho era melhorar a estrutura e o processo produtivo, comprando um forno refratário industrial, um cilindro para amassar e uma amassadeira para organizar o meu trabalho. Mas as condições financeiras da família não permitiam", relatou a agricultora.

A virada aconteceu com o acesso ao Renda Agricultor Familiar, programa criado em 2015 como parte do Nossa Gente Paraná para atender famílias rurais em situação de vulnerabilidade social. Com a primeira parcela de recursos no valor de R$ 4.212,08, a família adquiriu um cilindro de massas e uma amassadeira industrial. A segunda parcela, de R$ 2.074,00, complementada por recursos próprios, possibilitou a compra do tão sonhado forno refratário industrial.

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Os resultados apareceram rapidamente. "Melhorou também a higiene e a qualidade dos produtos. Agora vou organizar melhor meu trabalho e, assim, continuar lutando pela melhoria da minha família. Esse projeto foi a realização de um sonho maravilhoso para mim", comemorou Maria de Fátima. Com os novos equipamentos em pleno funcionamento desde dezembro de 2025, ela já registrou aumento de 10% a 15% nas vendas comparando novembro com dezembro do ano passado.

O extensionista do IDR-Paraná em Janiópolis, José Carlos Denck, que elaborou e acompanha o projeto da família, explica os próximos passos: "Agora, a nova etapa é levantarmos o custo real de produção dos pães, das bolachas e até do pastel que ela vende na feira. Daqui para frente, com certeza, haverá melhor fluxo de trabalho e melhor renda na família". A assistência técnica incluirá uma planilha detalhada de custos e um plano de negócios para garantir a sustentabilidade do empreendimento.

Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, casos como esse confirmam a importância das políticas públicas voltadas à inclusão produtiva no meio rural. "O Projeto Renda Agricultor Familiar é um exemplo claro de como a união entre investimento público, assistência técnica qualificada e acompanhamento próximo das famílias faz a diferença no campo. Quando o Estado oferece condições para agricultor familiar se estruturar, ele gera renda, melhora a qualidade dos alimentos produzidos e fortalece a economia local", afirmou.

O secretário destacou ainda o papel fundamental das mulheres no empreendedorismo rural: "O impacto é ainda mais significativo entre as mulheres, que têm papel fundamental no empreendedorismo rural, na organização da produção e na segurança alimentar das famílias. Apoiar essas iniciativas é promover inclusão produtiva, dignidade e desenvolvimento sustentável no meio rural paranaense".

Executado em parceria pela Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedesf), Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), IDR-Paraná e municípios, o Renda Agricultor Familiar já beneficiou mais de 11.000 pessoas em uma década, sendo 90% mulheres. Os investimentos somam quase R$ 34 milhões, provenientes do Tesouro do Estado, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop).

O programa atende produtores com renda familiar mensal per capita igual ou inferior a meio salário mínimo, incluindo agricultores familiares do Grupo B do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), pescadores artesanais, quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais. Jovens acima de 18 anos que cursem colégio agrícola ou Casa Familiar Rural também podem participar com projetos em áreas cedidas pelos pais.

Segundo Jefferson Meister, coordenador estadual do programa, a flexibilidade é uma das marcas da iniciativa: "A ideia é promover qualquer tipo de atividade, seja um salão de beleza, uma lojinha ou um restaurante. O importante é que ela promova a melhoria de vida das pessoas e ajude a mantê-las no meio rural". O projeto abrange três áreas principais: saneamento básico, produção para autoconsumo e apoio a processos produtivos geradores de renda.

Para o secretário do Desenvolvimento Social e Família, Rogério Carboni, o sucesso do programa vai além dos números: "O Renda Agricultor Familiar demonstra que políticas sociais bem estruturadas geram resultados concretos ao integrar assistência técnica, suporte financeiro e atuação do Estado junto às comunidades. Mais do que transferir recursos, a iniciativa promove dignidade, fortalece a produção e impulsiona o desenvolvimento no meio rural".

Enquanto isso, em São Domingos, Maria de Fátima já traça novos planos. Com a estrutura ampliada, ela pretende aumentar o volume constante de produção e conquistar novos clientes, inclusive no mercado de merenda escolar. A história dessa família paranaense mostra como a combinação entre determinação pessoal e políticas públicas eficazes pode transformar realidades e fortalecer o tecido social no campo.