Um projeto nascido no interior do Paraná está ganhando projeção internacional ao buscar democratizar o acesso à inteligência artificial em comunidades historicamente excluídas do debate tecnológico. Criado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus de Cornélio Procópio, o Japiim Digital acaba de receber um financiamento de US$ 75 mil (cerca de R$ 390 mil) da Spencer Foundation, uma das mais importantes instituições do mundo no financiamento de pesquisas em educação.

O projeto tem como objetivo central levar educação em inteligência artificial para povos indígenas, comunidades quilombolas, populações ribeirinhas, periferias urbanas e regiões com baixa infraestrutura tecnológica. A ideia não é simplesmente transplantar modelos prontos, mas construir metodologias adaptadas aos contextos culturais e sociais específicos de cada localidade, promovendo uma acessibilidade tecnológica verdadeiramente significativa.

Além do aporte internacional, o projeto conta com apoio direto do Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA). A secretaria anunciou um investimento adicional de R$ 200 mil para viabilizar a implementação das atividades em território paranaense. Essa combinação de recursos integra pesquisa acadêmica, formação tecnológica e impacto social direto, reforçando a estratégia estadual de usar a inovação como ferramenta para redução de desigualdades.

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Para o secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, o reconhecimento internacional é fruto de um trabalho consistente. "O Paraná tem trabalhado para que a Inteligência Artificial alcance todas as regiões do nosso Estado, e esse projeto demonstra exatamente isso. Como é possível juntar ciência, políticas públicas e inclusão para garantir que comunidades possam desenvolver soluções alinhadas às suas próprias realidades", afirmou.

Coordenado pelos professores Robson Bonidia e Camila Sestito, o Japiim Digital reúne uma rede diversificada de parceiros, incluindo o Instituto Significare, o Instituto João de Barro e escolas de diferentes regiões do Brasil. O projeto também integra a rede internacional AI4PEP, uma articulação que envolve instituições de 16 países focadas em educação pública.

"Nosso objetivo é construir um framework de letramento em Inteligência Artificial que respeite culturas e contextos. Queremos garantir acesso igualitário à tecnologia e permitir que as próprias comunidades utilizem a IA para resolver problemas reais do seu dia a dia, com protagonismo e autonomia", ressalta o coordenador Robson Bonidia.

Além da educação tecnológica e da disponibilização de ferramentas digitais, o projeto pretende realizar um amplo levantamento de dados para identificar os principais obstáculos enfrentados por professores e estudantes nessas comunidades. A partir desse diagnóstico, a equipe buscará propor soluções sobre a aplicação ética de tecnologias, visando dar maior autonomia às populações.

O Japiim Digital faz parte do InteliGente Hub, ecossistema de inovação de Cornélio Procópio que já é reconhecido por premiações internacionais e por iniciativas voltadas a soluções em inteligência artificial com impactos sociais concretos.

Com os recursos garantidos, o projeto entra agora na fase de estruturação operacional. Os próximos passos incluem o planejamento detalhado das ações, a finalização de novas parcerias e a formação das equipes que serão responsáveis por levar as atividades às comunidades. A expectativa é que o modelo desenvolvido a partir da experiência paranaense possa servir de referência para outras políticas públicas no Brasil e no mundo, ampliando o acesso à tecnologia de forma verdadeiramente inclusiva e sustentável.