O Programa Mulher Segura Paraná apresentou nesta quarta-feira (10), em Guaratuba, um panorama detalhado sobre a prevenção ao feminicídio no Estado. A ação, realizada por meio da Patrulha Maria da Penha dentro das iniciativas da Missão Paraná IV, reuniu autoridades e comunidade para discutir estratégias de proteção às mulheres e reforçar a importância do registro de ocorrências.
Durante o encontro, foi destacado que o programa atua continuamente para aprimorar suas estratégias, com um foco especial em alcançar mulheres que ainda permanecem fora dos registros oficiais de violência. A subnotificação de casos foi apontada como um dos principais desafios, já que limita a eficácia das ações do sistema de segurança pública. Dados apresentados mostraram que a maior parte das vítimas de violência doméstica e feminicídio nunca buscou ajuda formal, não havendo registros policiais ou pedidos de medida protetiva.
O coordenador do programa, coronel Dalton Gean Perovano, enfatizou a necessidade de uma escuta ativa e da proximidade com a população para mudar esse cenário. “O que faz a diferença é ouvir a comunidade e entender o que ela precisa. Por isso a gente vai até as pessoas para promover o diálogo. O trabalho tem que acontecer onde os casos realmente acontecem. É assim que a gente consegue melhorar de verdade”, explicou o coronel, reforçando o compromisso do programa em atuar de forma preventiva e educativa.
O encontro foi conduzido por equipes do 9º Batalhão da Polícia Militar, com a participação da cabo Renata Mendes Passos Venâncio e do sargento Adenildo Gonçalves da Silva. A cabo Renata, ao finalizar a palestra, destacou a importância de incentivar as mulheres a procurarem ajuda e romperem o ciclo de silêncio. “É importante conversar, é importante romper o silêncio. Por isso estamos aqui, para dialogarmos, prestar apoio e mostrar que podemos fazer algo por elas”, afirmou, ressaltando o papel da Patrulha Maria da Penha no acolhimento e orientação das vítimas.
Além das discussões sobre feminicídio, o evento também abordou iniciativas tecnológicas para reforçar a segurança pública no Paraná, como o projeto Olho Vivo, que prevê a instalação de câmeras inteligentes com inteligência artificial (IA) em pontos estratégicos do Estado. Essa integração entre ações presenciais e tecnológicas busca criar uma rede mais eficaz de proteção, alinhada com os objetivos da Missão Paraná IV de reduzir violências e promover a segurança comunitária.
O Programa Mulher Segura Paraná segue com uma agenda de encontros em outras cidades do Estado, visando ampliar o alcance de suas ações e fortalecer a conscientização sobre a violência contra a mulher. A expectativa é que, com mais diálogo e registros adequados, seja possível reduzir os índices de feminicídio e oferecer um suporte mais efetivo às mulheres em situação de risco.

