Um programa de crédito específico para mulheres empreendedoras já liberou quase R$ 300 milhões para pequenos negócios no Paraná desde sua criação, em setembro de 2019. O Banco da Mulher Paranaense, iniciativa da Fomento Paraná, instituição financeira estadual, já beneficiou 26 mil empreendimentos, com operações que vão desde microcrédito de até R$ 20 mil até linhas para investimentos de até R$ 500 mil. Apenas em 2026, foram 682 contratos firmados, totalizando R$ 9,3 milhões em recursos disponibilizados.

"O Banco da Mulher Paranaense é um programa que reconhece a importância das empreendedoras, gestoras, produtoras e milhares de profissionais que, com coragem e visão, transformam desafios em oportunidades, geram renda e empregos, fortalecem negócios e movimentam a economia paranaense", afirma Claudio Stabile, diretor-presidente da Fomento Paraná. "Cada iniciativa liderada por uma mulher representa mais inovação, mais inclusão e mais crescimento sustentável para o Paraná."

Criado para incentivar o empreendedorismo feminino em todos os setores da atividade econômica, o programa tem como principal atrativo taxas de juros reduzidas para empreendimentos que tenham mulheres como proprietárias ou sócias. "O objetivo é facilitar o acesso e dar a oportunidade para que a mulher possa abrir ou ampliar negócios, gerar empregos e se tornar micro ou até grande empresária", explica o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

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As condições variam conforme o porte do negócio. Para operações de microcrédito (até R$ 20 mil), destinadas a informais, MEIs e microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, a taxa de juros fixa é de 0,82% ao mês para pagamento em dia, desde que a empreendedora apresente certificado de capacitação. Para empresas de pequeno porte, com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões ao ano, que apresentem projetos de investimento em obras, reformas, máquinas e equipamentos, a taxa parte de 1,18% ao mês. Projetos de eficiência energética ou geração de energia renovável também têm taxas a partir de 0,82% ao mês.

O acesso ao crédito é feito principalmente por meio de uma rede de agentes capacitados em parceria com os municípios, atendendo em estruturas como a Sala do Empreendedor e Agência do Trabalhador. Esses agentes, servidores treinados pela Fomento Paraná e Sebrae/PR, orientam os projetos e acompanham todo o processo até a liberação dos recursos. Atualmente, mais de 330 prefeituras são parceiras da Fomento na intermediação de crédito.

A psicóloga Roselaine Sônego é uma das beneficiárias do programa. Ela mantém uma clínica de saúde mental e tecnologia que utiliza neuromodulação cerebral para tratar condições como TDAH, ansiedade e depressão. Para ela, a iniciativa é de extrema relevância: "Geralmente as mulheres que precisam de aporte financeiro bancário possuem habilidades empreendedoras, podem até possuir um rendimento acima da média populacional, mas são provedoras da família, ou tem outros impedimentos para poder prosperar e implementar projetos relevantes para a sociedade".

Roselaine destaca ainda o impacto social do programa: "Historicamente as mulheres tem menor acesso ou maiores barreiras estruturais que limitam o acesso ao crédito bancário. Possibilitar esse acesso, com políticas financeiras bancárias, é uma forma de estabelecer a independência econômica, uma autonomia que gera o combate à violência financeira, a cristalização de mulheres em relacionamentos abusivos, e promove o fortalecimento do empreendedorismo feminino".

Analisando os setores beneficiados, o comércio varejista lidera com aproximadamente 30% dos contratos, incluindo estabelecimentos como minimercados, lojas diversas, restaurantes e lanchonetes. Em segundo lugar aparecem outras atividades de serviços pessoais (13,7% dos contratos), como cabeleireiros e tratamentos de beleza, seguidos pela área de alimentação (6,82%) e fabricação de artigos de vestuário (4,8%).

"Verificamos que há um amplo espectro de atividades empresariais, dos mais variados segmentos, que são atendidos pelo crédito da Fomento Paraná, em mais de 300 municípios a cada ano", afirma Gustavo Mattana, assessor de Planejamento Estratégico e Gestão da instituição. "O principal é que são recursos que estão chegando em mais de 60% dos municípios que apresentam baixo ou médio baixo IPDM (Índice Ipardes de Desempenho Municipal), ou que estão fora da região metropolitana da capital. Ou seja, são as pessoas que mais precisam de acesso ao crédito para desenvolver suas capacidades, para promover um negócio e gerar renda para suas famílias."

Os números mostram a importância do programa no contexto geral do crédito estadual: em 2025, 20% do total de recursos liberados pela Fomento Paraná para o setor privado foi destinado ao Banco da Mulher Paranaense. Considerando apenas as operações de microcrédito, aproximadamente 54% dos recursos foram para empreendimentos com mulheres como proprietárias ou sócias, demonstrando como a iniciativa tem se consolidado como uma ferramenta fundamental para a inclusão financeira e o desenvolvimento econômico no estado.