A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) divulgou nesta quarta-feira (18) a lista dos projetos selecionados na terceira edição do Programa CPLP Audiovisual (PAV III). No Brasil, a iniciativa é realizada por meio de uma parceria entre o Ministério da Cultura (MinC), através da Secretaria do Audiovisual (SAV), e a TV Brasil, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O anúncio foi feito em um evento na sede da CPLP, em Lisboa, Portugal, e os resultados completos estão disponíveis no site oficial da organização.
O PAV III premiou 25 projetos, sendo sete longas-metragens com duração de 52 minutos e 18 curtas-metragens com duração entre 15 e 30 minutos, nas categorias de documentário e ficção. Para financiamento da produção, cada projeto de longa-metragem receberá 65 mil euros, enquanto os curtas-metragens receberão 18 mil euros. Entre os selecionados, quatro são obras brasileiras: o longa-metragem Diáspora Z, de Ana Karina Fernandes da Paz; e os curtas-metragens Roda Saia, de Renata Prado de Moraes; Praia Mansa, de Carlos Arthur Leite Sousa; e Washington Novaes, memórias de um jornalista de plantão, de João Henrique da Costa Novaes.
Segundo a diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antonia Pellegrino, a retomada do Programa CPLP Audiovisual marca mais um passo do Brasil como protagonista na cena audiovisual internacional. “Do ponto de vista da EBC, é fundamental ampliar diálogos com as TVs públicas do mundo e fomentar esta rede de troca e produção de conteúdo de língua portuguesa. As obras escolhidas vão contribuir para o aprofundamento da qualificação do conteúdo da TV Brasil”, comemorou.
O processo de seleção do PAV III ocorreu em duas fases. Na primeira fase de pré-seleção, a partir do lançamento de Convocatórias Nacionais, foram classificados 79 projetos dentre os 591 inscritos, por meio de júris nacionais compostos em cada estado-membro da CPLP. Como premiação, os projetos classificados receberam oficinas de capacitação e desenvolvimento ministradas por roteiristas e produtores executivos experientes, contratados pelo programa. Essas oficinas proporcionaram um processo consistente de aprimoramento técnico e artístico dos projetos pré-selecionados, em um diálogo criativo entre realizadores e produtores.
Para a fase final de seleção, foi formado um júri internacional que reuniu cineastas e produtores de grande expressão, incluindo Laís Bodanski, Joel Zito Araújo, Pedro Pimenta, André Graça, Di Moretti, Aleksei Abib, além dos colaboradores da Unidade Técnica do Programa CPLP Audiovisual Mauro Garcia, Mario Borgneth, Roberto Tibiriçá e Leonardo Matheus. Os 25 projetos premiados serão contratados pela CPLP e iniciarão os respectivos períodos de produção no dia 1º de maio, com estreias mundiais programadas a partir de março de 2027 através da rede de emissoras públicas de televisão dos nove estados-membros da CPLP, o que inclui a TV Brasil.
O CPLP Audiovisual é uma iniciativa que busca fortalecer a cooperação audiovisual no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Mais do que financiar obras pontuais, o programa visa estruturar um ecossistema audiovisual comum, reduzindo assimetrias entre os países, ampliando o acesso do público a conteúdos em língua portuguesa e reforçando o audiovisual como instrumento de integração e diplomacia cultural, além de desenvolvimento econômico. Esta edição do Programa dividiu-se em três eixos: a seleção de projetos das linhas DOCTV (documentários) e FICTV (ficção), o Programa Nossa Língua e o Painel Audiovisual da CPLP, para mapeamento de dados sobre o setor audiovisual no bloco.
A terceira edição do Programa CPLP Audiovisual foi realizada com recursos financeiros aportados pelo Brasil, Portugal e Angola – países que formam a coordenação executiva do programa, cujo gerenciamento operacional está a cargo de uma unidade técnica implantada pelo Secretariado Executivo da CPLP junto ao Instituto de Conteúdos Audiovisuais brasileiros (ICAB). A retomada do investimento brasileiro acontece após seis anos. Além do edital, o Programa CPLP Audiovisual desenvolve ações de formação e capacitação, além de articular produtores independentes e televisões públicas da comunidade lusófona com a implantação da Rede CPLP Audiovisual.
O PAV configura-se em uma experiência única de compartilhamento de políticas públicas de fomento ao audiovisual, compartilhada pelos estados-membros de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste. Essa iniciativa não só promove a diversidade cultural, mas também fortalece os laços entre nações que compartilham a língua portuguesa, criando oportunidades para novos talentos e ampliando o alcance de produções audiovisuais em um mercado globalizado.

