A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira o julgamento que pode definir o destino dos dez réus do chamado Núcleo 3 da trama golpista, ocorrida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso, que envolve acusações graves como tentativa de golpe de Estado e planejamento de ações violentas, está sendo acompanhado de perto pela sociedade brasileira.

Pela manhã, o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, proferiu seu voto, optando pela condenação de nove dos dez réus e pela absolvição do general do Exército Estevam Theophilo. Em sua argumentação, Moraes destacou as evidências que, segundo ele, comprovam a participação ativa dos acusados na organização criminosa, com intenções de desestabilizar a democracia. Já para o general, o ministro entendeu que não houve elementos suficientes para sustentar a condenação, gerando reações diversas entre observadores.

Com a mudança do ministro Luiz Fux para a Segunda Turma, apenas quatro integrantes participam deste julgamento: além de Moraes, os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A partir de agora, cada um deles proferirá seus votos, e a formação de uma maioria favorável à condenação levará à fase de dosimetria, onde serão definidas as penas para os condenados. Se houver empate ou maioria pela absolvição, os réus poderão ser inocentados.

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O Núcleo 3 é composto por nove militares do Exército e um policial federal, conhecidos como "kits pretos" – uma referência ao grupamento de forças especiais da corporação. Eles respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado. A Procuradoria Geral da República (PGR) acusa o grupo de planejar "ações táticas" para efetivar o plano golpista, incluindo tentativas de sequestro e assassinato de autoridades como o próprio ministro Alexandre de Moraes, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os investigados são: Bernardo Romão Correa Netto (coronel), Estevam Theophilo (general), Fabrício Moreira de Bastos (coronel), Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel), Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel), Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel), Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel), Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel), Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel) e Wladimir Matos Soares (policial federal). A lista reflete a predominância de militares no grupo, levantando debates sobre a atuação de forças armadas em contextos políticos.

O julgamento é visto como um marco na apuração dos eventos golpistas que abalaram o Brasil, com potencial para estabelecer precedentes jurídicos sobre responsabilização em casos de ameaça à democracia. Enquanto a sessão segue, a expectativa é de que os votos dos ministros restantes sejam proferidos ainda nesta quarta, com possibilidade de conclusão ainda hoje. A cobertura da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tem acompanhado os desdobramentos, oferecendo atualizações em tempo real.