Os eleitores portugueses foram às urnas neste domingo (18) para escolher o sucessor do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que completou dois mandatos de cinco anos e não pode concorrer à reeleição. A votação começou às 8h da manhã no horário local, que corresponde às 5h da manhã em Brasília, e se estendeu até as 19h em Portugal Continental e na Ilha da Madeira, e até as 20h nos Açores – 16h e 17h no horário brasileiro, respectivamente.

De acordo com dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna de Portugal, até as 12h no horário local (9h em Brasília), cerca de 21% dos eleitores já haviam exercido seu direito ao voto. A participação é um dos pontos de atenção, já que a eleição presidencial em Portugal costuma ter uma abstenção significativa, embora o cargo tenha funções principalmente cerimoniais e de representação, com poderes limitados em comparação com o primeiro-ministro.

Esta eleição marca um recorde histórico: é a disputa presidencial com o maior número de candidatos já registrada em Portugal, com 11 concorrentes na corrida. Entre os nomes que aparecem com mais intenções de voto nas pesquisas eleitorais estão Luís Marques Mendes, do Partido Social Democrata (PSD); António José Seguro, do Partido Socialista (PS); André Ventura, do partido Chega; José Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal; e Henrique Gouveia e Melo, que concorre como independente. A diversidade de candidatos reflete um cenário político fragmentado e a busca por alternativas além dos partidos tradicionais.

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Devido ao alto número de candidatos, a possibilidade de um segundo turno é real. Segundo as regras eleitorais portuguesas, se nenhum dos concorrentes obtiver mais de 50% dos votos válidos, um novo pleito será realizado em 8 de fevereiro, com os dois candidatos mais votados. A última vez que as eleições presidenciais em Portugal tiveram segundo turno foi em 1986, quando Mário Soares venceu após uma disputa acirrada. Desde então, todos os presidentes foram eleitos em primeiro turno, incluindo Marcelo Rebelo de Sousa em 2016 e 2021.

O contexto internacional também influencia o clima eleitoral. Notícias relacionadas, como a reunião de emergência da União Europeia após ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as negociações para acelerar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia – onde Portugal tem papel ativo –, destacam a importância da posição portuguesa no cenário global. O novo presidente herdará essas questões, além de desafios internos como a economia e a coesão social.

A posse do próximo presidente da República está marcada para 9 de março, uma data que se mantém inalterada desde 1986, simbolizando a continuidade e a estabilidade das instituições portuguesas. O sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa assumirá um papel crucial na mediação política e na representação do país, em um momento de incertezas tanto em Portugal quanto na Europa.

Com informações da RTP, a emissora pública portuguesa, a cobertura eleitoral segue atenta aos resultados, que devem começar a ser divulgados após o fechamento das urnas. A expectativa é por uma noite de apuração tensa, com a possibilidade de definição apenas em fevereiro, caso o segundo turno seja necessário. Para os portugueses, a escolha vai além de um nome: é um reflexo do futuro que desejam para sua democracia.