A tão aguardada Ponte de Guaratuba, no litoral do Paraná, está prestes a se tornar realidade após mais de três décadas de expectativa. A obra, que começou em 2023 e é acompanhada de perto pelos paranaenses, já apresenta números impressionantes e curiosidades que revelam a grandiosidade do projeto. Com o recente "beijo" das estruturas, que marca a união das duas margens, a conclusão está próxima, prometendo substituir a histórica balsa que opera na baía desde os anos 1960.
Até o momento, foram utilizados 45 mil metros cúbicos de concreto e 5,5 mil toneladas de aço na construção. Para se ter uma ideia, essa quantidade de concreto é equivalente à usada na fundação do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo em Dubai, enquanto o aço empregado se aproxima das 7,3 mil toneladas da Torre Eiffel. Além disso, uma técnica curiosa chamou a atenção: o uso de 300 toneladas de gelo para controlar a temperatura durante a concretagem, quantidade que equivale a um terço do consumo no Carnaval de Salvador.
As torres do trecho estaiado da ponte, com 40 metros de altura, superam marcos como o Cristo Redentor (38 metros) e o Buda de Ibiraçu (35 metros), no Espírito Santo. Cada uma dessas torres sustenta 12 cabos de aço, conhecidos como estais, que são capazes de suportar cerca de 610 toneladas cada – peso equivalente a uma viga do viaduto do Tarumã, em Curitiba. O trecho estaiado, com 320 metros, permitirá um vão central de 160 metros, garantindo navegação sem pilares no canal.
A fundação da ponte é outro aspecto impressionante, com estacas que alcançam 55 metros de profundidade, sendo 15 metros escavados em rocha no fundo do mar. No total, 64 estacas de concreto, com diâmetros de até 2,20 metros e peso de até 470 toneladas, formam a base da estrutura. A pista terá quatro faixas de tráfego, ciclovias e passeios, com previsão de 70.000 metros quadrados de revestimento asfáltico.
Para realizar essa obra monumental, foi necessária uma força de trabalho significativa. No auge das atividades, em agosto de 2025, 950 pessoas estavam envolvidas, acumulando 3 milhões de horas trabalhadas. A equipe incluiu não apenas engenheiros e profissionais da construção civil, mas também biólogos, marinheiros e oceanógrafos, com apoio de cinco embarcações que operaram 24 horas por dia.
O monitoramento ambiental registrou 25.419 animais, distribuídos em 585 espécies, desde peixes e aves até mamíferos ameaçados. Entre as descobertas, destacam-se espécies como a figuinha-do-mangue, a saíra-sapucaia e o papagaio-de-cara-roxa, indicadores positivos da qualidade ambiental. Mamíferos como o macaco-prego e o gato-maracajá também foram avistados, reforçando a importância da conservação na região.
Com a conclusão das obras, a travessia que hoje leva de 20 a 30 minutos de balsa será reduzida para cerca de 2 minutos, marcando o fim de uma era e o início de uma nova conexão para o Paraná. A Ponte de Guaratuba não é apenas uma obra de engenharia, mas um símbolo de progresso e integração, com impactos positivos na mobilidade e no meio ambiente.

