Em uma ação que parece ter saído de um filme de comédia, policiais do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo, prenderam neste domingo (8) um homem e uma mulher suspeitos de furtar celulares durante um bloco de Carnaval na região da Consolação, no centro da capital paulista. O detalhe curioso: os agentes estavam infiltrados entre os foliões fantasiados de caça-fantasmas.
A abordagem aconteceu durante o megabloco do DJ Calvin Harris, um dos pontos mais movimentados do Carnaval de rua de São Paulo. Os policiais, que atuavam de forma discreta no meio da multidão, flagraram o suspeito em ação e o abordaram. Com ele, foram encontrados quatro aparelhos celulares, todos apreendidos. A mulher foi detida pouco depois, na rua Maria Antônia, também com vários aparelhos furtados em seu poder.
Os dois foram encaminhados a uma unidade policial, onde o caso foi registrado. Os celulares apreendidos passarão por perícia para identificação e posterior devolução às vítimas, que provavelmente nem perceberam o trabalho dos agentes disfarçados no meio da folia.
Esta ação faz parte de uma estratégia mais ampla da Polícia Civil para coibir furtos e roubos durante os grandes eventos carnavalescos, especialmente em blocos com grande concentração de público. Desde o fim de semana passado, quando teve início a Operação Carnaval, já são 18 criminosos presos por agentes disfarçados entre os foliões.
No sábado (7), por exemplo, no Parque Ibirapuera, agentes do DHPP atuaram infiltrados fantasiados de extraterrestres. Durante aquela ação, quatro homens foram presos. Três deles foram detidos por venda de bebidas fabricadas clandestinamente, sem rótulo ou identificação. O quarto suspeito foi flagrado com três celulares furtados, escondidos sob a roupa.
Já no sábado passado (31), uma operação na região da Barra Funda resultou na prisão de 12 suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em crimes patrimoniais durante blocos de Carnaval. Nessa ação, policiais civis disfarçados identificaram ambulantes sem credenciamento trocando cartões bancários enquanto realizavam vendas no meio do público. A movimentação levantou suspeitas de um esquema de fraude, que envolve a substituição de cartões das vítimas durante pagamentos.
Estratégia de policiamento diferenciada
A presença de agentes à paisana entre os foliões tem se mostrado uma estratégia eficaz para coibir crimes durante o Carnaval. As ações contam com apoio do Grupo de Ações Rápidas e Repressão Especial (Garra), com foco específico no combate a furtos e roubos, especialmente de celulares – um dos crimes mais comuns em grandes aglomerações.
A Polícia Militar também reforçou o policiamento tradicional durante o período carnavalesco, com cerca de 5,2 mil policiais e 2,5 mil viaturas por dia de folia. Além disso, a corporação tem utilizado drones e câmeras do Programa Muralha Paulista, que permitem monitoramento em tempo real a partir do Centro de Operações da PM (Copom), em integração com órgãos municipais e estaduais.
Essa combinação de policiamento ostensivo com ações discretas de agentes infiltrados tem como objetivo criar um ambiente mais seguro para os foliões, permitindo que a festa aconteça sem sustos para quem só quer se divertir. Enquanto muitos brincam e dançam sem saber, há verdadeiros caça-fantasmas – e até extraterrestres – de plantão protegendo o Carnaval paulistano.

